Advogado de Direito de Família, professor, escritor, comunicador e pai de Júlia e Vitor, Eduardo Veríssimo Inocente transformou uma experiência pessoal em uma nova frente de atuação profissional. À frente de um escritório com 25 anos de trajetória, construiu seu trabalho sobre gestão, atendimento humanizado e diferentes formas de constituição familiar, e hoje amplia esse alcance pela comunicação. 

O sonho que virou escolha profissional

Antes de construir uma carreira no Direito, Eduardo Veríssimo Inocente já tinha escolhido a profissão que queria para a vida. Nascido em São Paulo e criado no ABC paulista, em São Bernardo do Campo, ele conta que desde criança dizia à mãe que seria advogado, mesmo sem nenhum profissional do Direito na família. No vestibular, também prestou Psicologia, passou nos dois cursos e escolheu aquele que já fazia parte de seus planos.

A preparação para a profissão começou antes mesmo da formatura. Durante cinco anos, estagiou em um escritório de advocacia e acompanhou de perto a relação com os clientes e a rotina de quem estava à frente do negócio. A experiência ajudou a formar não só o advogado, mas também o gestor que surgiria mais tarde.

Ao terminar a faculdade, passou um ano estudando em Ávila na Espanha e quando retornou ao Brasil,  Eduardo percebeu que não tinha perfil para seguir uma carreira como empregado. Preferiu assumir o risco de abrir o próprio escritório, mesmo diante das dúvidas da família.

“Eu tenho um perfil de liderança e de empreendedorismo.”

Quando o advogado virou gestor

O escritório colocou Eduardo diante de um desafio que a faculdade de Direito não ensinava: transformar conhecimento jurídico em um negócio. No começo, ele buscava clientes onde pudesse, inclusive em postos de gasolina, oferecendo serviços de cobrança em troca de comissão. Era uma operação pequena, mas foi ali que começou a entender que poderia crescer e também precisaria construir uma marca.

A docência abriu outra frente.  Foi lecionando nas instituições Uni9, UNIABC e Escola Paulista de Direito que se aproximou do Direito de Família e encontrou a área pela qual se apaixonaria profissionalmente. Foi também ali que os alunos passaram a chamá-lo de “professor EVI”. A sigla acabou ganhando vida própria e se tornou o nome do escritório, uma escolha que também preservava os dois lados da história familiar ligada aos sobrenomes Verissimo e Inocente.

Uma passagem pela CIA Eurobrás ampliou sua experiência profissional e financeira. Com o escritório crescendo, Eduardo percebeu que não poderia permanecer concentrado em cada processo. Precisava assumir uma posição mais estratégica, voltada à gestão, aos contratos, ao relacionamento com os clientes e à construção da própria marca.

“Eu percebi que precisava ser uma marca e, ao mesmo tempo, gestor de um escritório de advocacia.”

Quando a vida mudou a advocacia

Foi quando decidiu realizar um sonho pessoal que Eduardo encontrou uma questão capaz de mudar também sua trajetória profissional: ser pai. Aos 38 anos, solteiro na época, começou pela adoção, mas o perfil de crianças disponível na comarca não correspondia ao momento que vivia. Depois, buscou alternativas através de um processo de Surrogacy no Nepal e no México, sem conseguir concretizar o projeto.

A possibilidade apareceu no Brasil, pela gestação de substituição. Na época, a Resolução CFM nº 2.168/2017 permitia o procedimento dentro das regras estabelecidas pelo Conselho Federal de Medicina, e Eduardo buscou autorização do Conselho Regional de Medicina para seu caso. A norma foi posteriormente substituída pela Resolução CFM nº 2.320/2022, hoje vigente, que prevê, entre outras situações, a possibilidade para pessoas solteiras e a autorização excepcional pelo CRM quando não houver parentesco de até quarto grau entre a cedente e os envolvidos.

Com a orientação do médico Fernando Prada, da clínica Neo Vita, uma mulher próxima da família se ofereceu para gestar seus filhos. Júlia e Vitor nasceram em 2018. No cartório, porém, surgiu outro obstáculo: segundo Eduardo, não havia precedente de um pai solteiro registrar dois filhos nascidos por gestação de substituição apenas em seu nome. Depois da articulação entre clínica e cartório, o registro foi realizado. A história, que já havia ultrapassado os limites de sua vida pessoal, ganhou repercussão na imprensa e passou a ser veiculada por diferentes canais de mídia. A exposição transformou Eduardo em referência para outras pessoas que buscavam caminhos semelhantes para formar uma família.

“Eu dizia que não sabia como, nem onde ou de que forma iria acontecer. Mas eu tinha certeza que seria pai. Era uma coisa de alma.”

Uma liderança baseada em humanidade

A repercussão da história de Eduardo fez com que outras famílias chegassem ao escritório em busca de orientação para construir seus próprios caminhos. O que havia começado como uma experiência pessoal passou a integrar sua atuação profissional. Segundo ele, hoje são mais de 100 processos em andamento e mais de 30 crianças nascidas a partir desse tipo de trabalho.

Para atender a essa demanda sem concentrar a operação em si, Eduardo estruturou uma equipe de cerca de nove pessoas, entre elas quatro advogados. Hoje mantém reuniões semanais para direcionar o trabalho, acompanha os casos mais relevantes e distribui responsabilidades entre os profissionais. As peças passam por uma orientadora antes de chegar a ele, criando uma etapa adicional de revisão sem centralizar todas as decisões.

O crescimento do escritório, porém, não mudou um princípio que Eduardo considera essencial: cada cliente deve ser tratado de forma individual. A equipe também precisa estar preparada para lidar com diferentes histórias, identidades e formas de construir uma família. O escritório reúne mais de 148 avaliações cinco estrelas no Google e já recebeu prêmios de reconhecimentos como The Winners Awards, Top of Quality e Quality Justiça.

“Busco trabalhar com humanidade e com um olhar para a diversidade.”

A carreira que abriu espaço para a família

Depois de passar anos construindo o escritório, Eduardo precisou fazer outra escolha: organizar o trabalho para que a carreira não ocupasse o espaço que queria dedicar aos filhos. Hoje, leva Júlia e Vitor à escola, participa de reuniões e consultas e é quem os coloca para dormir.

Quando um compromisso se estende até mais tarde, ele procura passar em casa antes de dormir para dar um beijo nas crianças. Os fins de semana são reservados para a família. A rotina funciona porque a agenda profissional é planejada com antecedência e os momentos com os filhos também entram nessa programação.

A decisão de deixar parte da operação nas mãos da equipe ganhou, assim, outro significado. A gestão não serve apenas para fazer o escritório funcionar. Ela também permite que Eduardo esteja presente na infância que passou tanto tempo buscando construir.

“Se eu sei que tenho que buscar os meus filhos naquele dia, então eu vou me organizar para buscá-los.”

Comunicação como nova frente de atuação

Com uma trajetória construída entre o Direito, a gestão e a própria experiência familiar, Eduardo encontrou na comunicação outra forma de levar sua atuação para além do escritório. Criou o podcast Sobre Jurisdição, inicialmente voltado ao universo jurídico, e começou entrevistando professores e profissionais próximos. Depois de uma conversa com o jornalista Juan Filder, o projeto ganhou novo formato e passou a unir Direito e Arte.

A mudança ampliou o alcance do programa, que chegou a entrevistas com nomes como a Procuradora de Justiça Dra.Eliane Passarelli, a jornalista e influenciadora Leo Áquilla e o ator consagrado Oscar Magrini. Segundo Eduardo, o podcast já soma mais de 2 milhões de visualizações e 24 mil seguidores. Em paralelo, pela arte de escrever, retomou Armadilhas do Coração, romance com suspense que começou a desenvolver anos antes e que prepara para lançamento.

São projetos diferentes, mas que partem da mesma necessidade de comunicar. Depois de passar anos traduzindo o Direito para alunos e clientes, Eduardo passou a fazer isso também para um público mais amplo. A exposição, para ele, não é um fim isolado, mas parte de uma construção de autoridade sustentada pela experiência profissional.

“O que eu estou fazendo é uma construção de autoridade.”

Um legado que continua em construção

Depois de transformar uma escolha pessoal em parte de sua trajetória profissional, Eduardo agora olha para o futuro pensando no que ainda pode construir. Entre os planos está o desejo de criar uma clínica voltada a crianças autistas e com deficiência, projeto que também se aproxima da sua formação em psicanálise.

Mas é na relação com Júlia e Vitor que sua ideia de futuro ganha um sentido mais íntimo. Eduardo quer que os filhos cresçam livres para fazer suas próprias escolhas e que, quando olharem para a trajetória do pai, reconheçam não apenas o profissional que ele se tornou, mas também os valores e as decisões que marcaram esse caminho.

A trajetória começou com o menino que queria ser advogado. Passou pela construção de um negócio, pela docência, pela gestão e por uma busca pessoal que acabou abrindo caminhos para outras famílias. Depois, ganhou uma nova voz pela comunicação. Hoje, todas essas experiências se encontram na mesma história: a de alguém que buscou construir a própria família e transformou essa busca em parte de seu trabalho.

No fim, o legado que Eduardo pretende deixar não está apenas no escritório, nos projetos ou nas histórias de outras famílias que ajudou a construir. Está também naquilo que espera transmitir aos próprios filhos: a liberdade para serem quem são e a certeza de que poderão olhar para a trajetória do pai com orgulho.

Instagram: @eduardovinocente