Da sequência de negócios à construção de uma operação que reúne imobiliária, loteamentos, construção e aviação, Ezequiel Viana transformou recomeços em aprendizado e crescimento. Em Porto Velho, onde construiu sua carreira, agora quer criar novos produtos e atrair investidores para a cidade.
O desejo de crescer nasceu cedo
Antes de aprender a construir negócios, Ezequiel Viana aprendeu a procurar caminhos. Sua trajetória empresarial começou muito antes da Viana Investimentos, entre mudanças de cidade, empregos e tentativas que ainda levariam anos para encontrar uma direção.
Criado em Santarém, no Pará, chegou a Porto Velho aos 11 anos, depois de uma viagem de barco com os pais e o irmão. Em casa, a vida era regrada. Não faltava o necessário, mas também não sobrava. Com sacrifício, a mãe o colocou em um curso de inglês, onde passou a conviver com filhos de famílias de maior poder aquisitivo. A experiência ampliou o que ele imaginava ser possível para a própria vida.
O idioma abriu as primeiras portas. Primeiro, para um estágio no Ministério da Fazenda. Depois, ainda adolescente, para uma vaga na TAM. Aos poucos, aquele contato com outros ambientes começou a se transformar em ambição profissional.
“Eu queria estar naquele ambiente, viver aquela realidade. Só que a minha realidade ainda era outra”.

Cada recomeço deixou um aprendizado
A primeira grande queda veio justamente quando um negócio parecia funcionar. Aos 18 anos, depois de sair da TAM em um corte de funcionários, Ezequiel abriu uma agência de viagens com a mãe de um amigo.As vendas iam bem até uma fornecedora reembolsar para si as milhas das passagens já vendidas, deixando os clientes sem bilhetes no aeroporto. Para garantir as viagens dos clientes, ele precisou recomprar os trechos, comprometer cartões e recorrer a empréstimos. O prejuízo chegou a R$45 mil.
Para pagar as dívidas, aceitou uma vaga como armador, na montagem das estruturas de aço da usina. Em pouco tempo, trocou o carro pelo ônibus das 5h da manhã e o ambiente de vendas pelo trabalho sob o sol. Foram cinco meses até seguir para uma empresa de vistoria e perícia de veículos. À noite, ainda encontrou espaço para outra tentativa: começou vendendo espetinhos na frente de casa e, com a mãe, transformou o negócio no Cantinho Paraense.
Vieram outras apostas. Em negócios de marketing multinível, como a Telexfree, que vendia serviços de telefonia pela internet, e a BBom, voltada ao rastreamento de veículos, chegou a ganhar R$1 mil por dia, quitou as dívidas da agência, deixou a vistoria e fechou o restaurante para se dedicar à atividade. Um mês depois, a Justiça bloqueou as operações nacionais da Telexfree e da BBom. Ezequiel ainda passou por um escritório de ações revisionais e pelo Rondon Card, criado a partir da necessidade de seu pai por atendimento médico mais acessível. O modelo mudou para um plano com assistência funerária e descontos médicos, mas também acabou encerrado.
“Eu tive uns cinco negócios que não deram certo. Algumas mães de amigos chegaram a dizer que eu estava sempre errando nas minhas escolhas”.

Quando vender virou estratégia
Os negócios anteriores ensinaram o que não funcionava, mas também deixaram Ezequiel mais atento ao próximo passo. Depois do Rondon Card, um empresário o aconselhou a estudar o mercado imobiliário. Ele passou 30 dias pesquisando o setor antes de decidir entrar.
Ezequiel se matriculou em uma escola de corretagem e passou a estudar à noite e estagiar durante o dia. Sem dinheiro para abastecer o carro, vendia por R$20 um sabão líquido produzido em casa pela mãe para conseguir combustível. Foram três meses sem vender um imóvel. A virada veio quando mudou de imobiliária e percebeu que precisava colocar os imóveis na frente do público.
Em 2016, passou a distribuir mil panfletos pela manhã, outros mil ao meio-dia e mais mil à tarde, além de trabalhar com Marketplace. Em 45 dias, vendeu 15 casas. Depois, ao vender dois apartamentos com comissão de R$12 mil cada, descobriu que havia um bônus adicional de R$12 mil pago pela construtora à imobiliária, sem que ele soubesse. O episódio contribuiu para sua decisão de buscar outro caminho.
A oportunidade apareceu com o lançamento do empreendimento Alphaville em Porto Velho. Naquele momento, apenas quatro imobiliárias poderiam atuar na comercialização, e a empresa de Ezequiel estava entre elas. Nascia, em 2017, a Viana Investimentos.
“Eu percebi que vender imóveis dependia de mídia e exposição. Chegava a distribuir mil panfletos de manhã, mil ao meio-dia e mais mil à tarde”.

Experiência que virou método
A entrada no mercado imobiliário não eliminou os problemas, mas mudou a forma de Ezequiel de lidar com eles. Com a empresa crescendo, vieram novas decisões sobre como gerar receita e reduzir a dependência de uma única fonte de negócio.
Um desses aprendizados veio dessa nova frente de negócio. Pela Green, empresa voltada à administração de loteamentos próprios, Ezequiel passou a trabalhar com produtos que geram receita ao longo dos anos. A operação reúne quatro projetos e inclui um empreendimento de chácaras de alto padrão, com rampa náutica, marina e estrutura de lazer.
A Viana Company também passou a atuar na construção de prédios de pequeno porte em parceria com amigos. A lógica se ampliou: vender imóveis continuava sendo parte do negócio, mas construir e administrar os próprios produtos passou a ocupar espaço maior na estratégia.
“Os problemas continuam existindo, mas a experiência faz você ficar mais preparado para enfrentá-los e se preocupar menos com cada dificuldade”.

A família por trás do crescimento
Conforme os negócios cresceram, outra medida de sucesso ganhou peso: o que acontece quando o expediente termina. Na trajetória de Ezequiel, a família aparece tanto na origem de alguns negócios quanto na estrutura que sustenta sua vida hoje.
A mãe esteve ao lado dele no Cantinho Paraense e na produção do sabão que ajudou a financiar os primeiros meses como corretor. O pai, ex-funcionário do Tropical Hotel, em Manaus, que depois se tornou missionário, também teve papel importante nessa formação. Hoje, Ezequiel o reconhece como uma referência espiritual e fonte de segurança.
Com Geórgia, sua esposa, a parceria também chegou aos negócios. Ele descreve uma divisão de funções: enquanto cria produtos e toma a frente das novas iniciativas, ela cuida da parte organizacional, contratos, documentação e regularização. O filho, Theodoro, de três anos, também mudou suas prioridades. O empresário conta que passou a dedicar mais atenção à família e adotou uma rotina de treino e dieta com o objetivo de competir no fisiculturismo.
“A gente pode ter muitos amigos e estar cercado de muita gente, mas, quando o problema é de verdade, é a família que está ao nosso lado”.

Do negócio para a cidade
O crescimento também mudou de escala. Hoje, Ezequiel tem aproximadamente 35 pessoas trabalhando diretamente com ele. A Viana mantém equipes dedicadas à locação e às vendas, enquanto outras empresas avançam para loteamentos e construção. No mercado de locação, afirma que a operação movimenta, em média, um imóvel por dia.
Em agosto, essa trajetória ganhou um reconhecimento nacional. No dia 10, Ezequiel recebeu o prêmio de Líder Destaque da Região Norte na primeira edição do Real Estate Awards, realizada no Espaço Unimed, em São Paulo, pela ATrinca Real Estate em parceria com nomes como Flávio Augusto, Joel Jota, Caio Carneiro e Cézar Haik. A cerimônia reuniu mais de cinco mil profissionais e teve votação aberta ao público.
A aposta de Ezequiel também se apoia no tamanho e nas necessidades do mercado em que escolheu crescer. Porto Velho tem população estimada em 520.379 habitantes em 2026 e vive um período de novos investimentos em infraestrutura. No primeiro semestre, a prefeitura abriu licitações que somam R$ 187,89 milhões para 12 grandes obras, entre unidades de saúde, mercado, escola, praças e outros projetos. É nesse cenário que ele enxerga espaço para criar produtos, atrair investidores e desenvolver novos negócios.
“Porto Velho ainda tem carências de infraestrutura e saneamento, e é justamente nessas áreas que eu vejo oportunidades”.

Porto Velho como próximo projeto
Para Ezequiel, crescer não significa apenas ampliar o que já existe. A próxima etapa é criar negócios em torno das oportunidades que ele enxerga em Porto Velho e na própria identidade amazônica da região.
Ele quer lançar novos empreendimentos, atrair investidores de outras partes do Brasil e desenvolver produtos que aproveitem características locais. A escola de aviação é um exemplo de como esses planos acabam tomando caminhos que ele próprio não previa. Entre as metas pessoais de 2026 estava aprender a pilotar. Quando a escola em que estudava faliu, colegas o convidaram para criar uma nova instituição.
Assim nasceu a Aero 364. Os sócios compraram uma aeronave e iniciaram a primeira turma, com 18 alunos matriculados. A aviação, porém, começou muito antes da empresa. Ainda criança, Ezequiel ficou impressionado ao conhecer a casa de um piloto em Santarém e passou anos imaginando aquela profissão como algo distante. Agora, o sonho voltou por outro caminho.
“Quero ser lembrado como alguém ousado, que teve coragem de fazer mesmo quando diziam que não daria certo”.

Um legado que continua em construção
Depois de tantos negócios, Ezequiel mede a própria prosperidade por uma régua diferente da financeira. Para ele, dinheiro é consequência do trabalho, não a medida final do sucesso.
A razão para continuar crescendo está na qualidade de vida que consegue proporcionar à família: plano de saúde e educação para o filho, conforto para Geórgia, viagens e tempo juntos. Ele já ganhou e perdeu dinheiro. Nas duas situações, a família permaneceu ao seu lado.
A trajetória começou com a vontade de ocupar novos espaços e passou por perdas, tentativas, aprendizados e expansão. Hoje, os projetos podem estar em um loteamento, em um prédio, em uma imobiliária ou até no céu. Mas a ideia que sustenta todos eles continua sendo mais simples: construir uma vida que faça sentido quando os negócios ficam para trás.

Instagram: @ezequielviana_