Toda grande transformação começa com a coragem de enxergar novos caminhos. Depois de 17 anos dedicados à educação, Jôsy decidiu escrever um novo capítulo da sua história. Em meio aos desafios da pandemia, identificou uma oportunidade, transformou experiência em propósito e deu vida à Bordô. Mais do que uma marca de fardamento e bordados personalizados, a Bordô nasceu para vestir profissionais com identidade, elegância e excelência

Antes da Bordô, veio a vontade de ir mais longe
Algumas histórias começam com um negócio. A de Jôsy começou muito antes, quando a vida exigiu dela mais força do que uma criança deveria conhecer. Hoje, à frente da Bordô, em Feira de Santana, na Bahia, ela transformou a experiência de formar pessoas na educação em uma empresa que trabalha com imagem, identidade e autoestima profissional. Mas, antes das linhas e dos bordados, vieram a perda, o estudo e a busca por novos caminhos.
Jôsy nasceu em uma família humilde e tinha cinco anos quando o pai morreu em um acidente de carro. A mãe passou a criar sozinha os quatro filhos, em uma época em que as dificuldades eram ainda maiores. Foi nesse contexto que ouviu um conselho que atravessaria sua vida: era preciso aprender mais de uma profissão para ter sempre uma alternativa.
Aos 17 anos, passou no primeiro concurso público e trabalhou como agente de saúde por três anos. Depois, formou-se em pedagogia e passou 17 anos nas redes municipal e estadual de ensino. Destacou-se pelo trabalho, mas começou a sentir que a profissão já não oferecia o espaço que buscava para continuar crescendo. A vontade de ir além, que começou cedo, voltaria a aparecer anos depois.
“Eu nasci de uma família humilde. E acho que carreguei comigo aquilo que minha mãe sempre dizia: você precisa saber duas ou três profissões, porque, se uma não der certo, vai para outra”.

Quando mudar de rota virou necessidade
A primeira mudança não aconteceu por causa de um negócio. Aconteceu dentro de casa. Antes da pandemia, os filhos passaram a enfrentar dificuldades na escola, e Jôsy decidiu abrir mão de um turno de trabalho para acompanhá-los mais de perto. Quando as aulas migraram para o formato remoto, ela também começou a questionar o caminho profissional que havia seguido por 17 anos.
Foi nesse período de mudanças que Jôsy viajou sozinha para São Paulo para participar do Método CIS, treinamento de inteligência emocional criado por Paulo Vieira. Há cerca de cinco anos, durante os quatro dias de imersão, ela revisitou a morte do pai, ocorrida quando ainda era criança, e encarou uma dor que carregava havia décadas. A experiência também mudou sua relação com a mãe, o que tornou as duas mais próximas.
Depois do curso, Jôsy passou a dedicar mais tempo à família e começou a olhar de outra forma para o próprio futuro. O processo pessoal abriu espaço para uma decisão profissional que mudaria sua trajetória: deixar a educação e criar um negócio próprio.
“Foi algo que transformou a minha vida. Foi a virada de chave mesmo”.

A oportunidade apareceu no próprio closet
A ideia da Bordô nasceu de uma observação simples. Enquanto organizava o próprio closet, Jôsy encontrou algumas peças bordadas e começou a pesquisar o mercado de Feira de Santana. Percebeu uma carência por bordados e fardamentos com mais qualidade, personalidade e menos padronização.
A empresa nasceu em plena pandemia. Ela contratou uma costureira e um bordador e começou produzindo jogos americanos e guardanapos de linho. O primeiro pedido veio da vizinha. A filha dela gostou das peças e, em uma semana, o que parecia uma experiência pontual virou mais de 30 jogos para produzir.
Com a retomada das atividades, Jôsy encontrou uma nova oportunidade. Clínicas e empresas tinham estruturas cada vez mais sofisticadas, mas continuavam usando fardamentos muito parecidos entre si. A Bordô passou a desenvolver peças mais modernas e ajustadas, até chegar ao jaleco “Dr. Thiago”, que se tornou recorde de vendas. A empresa, que começou pequena, hoje conta com oito colaboradores.
“Eu vendi para a minha vizinha, a filha dela se apaixonou, e em uma semana eu já tinha mais de 30 jogos americanos e guardanapos para fazer”.

O produto mudou. O cuidado continuou
A expansão da Bordô trouxe uma definição mais clara do que Jôsy queria construir. O diferencial não estaria apenas no tecido, no corte ou no bordado, mas na experiência de quem recebe a peça.
A empresa trabalha sob medida em pedidos menores e por tamanhos em volumes maiores, além de buscar referências em marcas internacionais para trazer novas soluções ao mercado local. Cada entrega também carrega elementos próprios da marca, como uma cartinha personalizada, a tâmara, associada à prosperidade, e o aroma da loja. O pós-venda inclui 30 dias de suporte para ajustes, reparos ou refação das peças quando necessário.
Essa preocupação com a forma como cada pessoa se enxerga também vem de uma experiência pessoal. Antes de levar esse olhar para a Bordô, Jôsy precisou reconstruir a própria relação com o corpo e com a autoestima. O acompanhamento do Dr. Gabriel Almeida e da nutricionista Érica Machado, segundo ela, foram importantes nesse processo.
Na prática, a proposta da empresa passou a ultrapassar o fardamento. A roupa tornou-se parte de uma construção de identidade profissional.
“Quando a gente transforma vidas, a gente se sente realizado de uma certa forma”.

O negócio cresceu sem sair do centro da vida
A expansão da Bordô mudou a rotina de Jôsy, mas não alterou a presença da família nas decisões. O dia começa às 4h30, passa pela academia, pela rotina com a filha e segue na empresa, entre produção, atendimento e visitas a clientes. Mesmo com uma equipe treinada, alguns consumidores ainda fazem questão de falar diretamente com ela.
Em casa, a trajetória também foi construída aos poucos. O marido, que inicialmente não apoiava a ideia por receio de vê-la entrar em uma área em que nunca havia trabalhado, mudou de posição ao acompanhar sua persistência. Um dos momentos mais simbólicos veio quando Jôsy confeccionou o jaleco do próprio filho, que hoje está cursando o curso de Medicina.
Depois de enfrentar um quadro grave de Covid-19, que a deixou mais de 30 dias sem andar e provocou problemas nas articulações, ela também encontrou no tiro esportivo uma nova forma de desenvolver foco e controle emocional. A prática começou por meio do cliente, Thiago Barreto, instrutor de armamento e tiro e CEO do Clube Tiro Certo, que hoje faz parte da rotina esportiva de Jôsy.
“Hoje, a Bordô é um sonho, um projeto, que requer dedicação, perseverança, vontade de crescer e vontade de chegar mais longe”.

Da indicação de clientes ao reconhecimento público
A expansão da Bordô não aconteceu por uma grande campanha internacional. O caminho foi mais orgânico. Uma amiga que se mudou para Londres levou peças da marca para o trabalho e despertou o interesse de novos clientes. Depois vieram encomendas para a Itália e os Estados Unidos, impulsionadas principalmente pela indicação e pelo boca a boca.
O crescimento também passou a aparecer em reconhecimentos públicos. A Bordô está entre as indicadas ao Troféu Imprensa NoiteDia 2026, na categoria Fardamento, em uma premiação tradicional de Feira de Santana que chega à 26ª edição, com participação de especialistas e votação popular.
Em outubro, Jôsy também está prevista para receber, no Novotel Recife Marina, um reconhecimento como empresa destaque no pós-pandemia pelo The Elite Honors Brasil.
Os resultados ampliam uma ambição que a empresária já tinha desde os primeiros passos: fazer a Bordô ser reconhecida no mesmo patamar de marcas que ela própria usou como referência.
“A gente trabalha com sonhos e a gente quer alcançar esse reconhecimento.”

Uma empresa ainda em construção
A Bordô cresceu, atravessou fronteiras e ampliou a equipe, mas Jôsy ainda fala da empresa como quem descreve algo em formação. Para ela, montar uma equipe qualificada foi uma das partes mais difíceis do caminho, porque cada profissional passa a participar diretamente do resultado entregue ao cliente.
Essa experiência também mudou a forma como enxerga a gestão. Antes de contratar, ela procura entender o perfil, a vontade de crescer e o quanto cada pessoa está disposta a assumir a responsabilidade pelo que entrega. Afinal, a empresa trabalha com algo que, para ela, vai além da roupa: o sonho de quem está do outro lado.
No futuro, o objetivo é levar a Bordô mais longe, ampliar seu reconhecimento e alcançar novos mercados sem perder o cuidado que marcou a marca desde o início. A visão também se conecta ao valor que esteve presente desde a infância: o estudo como ferramenta para abrir caminhos.
“Independentemente de onde você nasceu ou foi criado, se você tiver um sonho, você tem que correr atrás dele”.

Um legado que continua evoluindo
A história de Jôsy Oliveira não se resume à troca da sala de aula pelo empreendedorismo. Ao longo de diferentes fases, ela continuou fazendo algo que sempre esteve presente em sua trajetória: ajudar pessoas a avançar.
Primeiro, pela educação. Depois, pela imagem, pela autoestima e pela identidade profissional. A Bordô ainda está em construção, assim como os próximos capítulos da própria Jôsy. O que já está definido é o valor que sustenta esse caminho: a crença de que estudo, trabalho e coragem podem ampliar as possibilidades de quem decide recomeçar.

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