Há quase duas décadas no mercado imobiliário, Kaique Parreira tornou-se uma das principais referências em imóveis de alto padrão no Buritis ao construir uma carreira baseada em confiança, relacionamento e verdade.
Em um mercado onde tecnologia, anúncios e grandes estruturas disputam a atenção dos clientes, Kaique Parreira escolheu seguir um caminho diferente. Trabalha sozinho, acompanha pessoalmente cada negociação e acredita que nenhuma estratégia de vendas supera a construção de confiança. Foi assim que transformou um começo movido pela necessidade em um dos nomes mais respeitados do mercado imobiliário de Belo Horizonte. Para ele, imóveis são consequência. O verdadeiro negócio acontece entre pessoas.
Para ele, imóveis sempre foram consequência. O verdadeiro negócio acontece entre pessoas.

O peso da responsabilidade veio cedo
Kaique nasceu em São Paulo, mas chegou a Belo Horizonte antes de completar um ano de idade. Aos três anos, sobreviveu a um grave atropelamento durante uma rua de lazer. Escapou de uma lesão fatal por poucos centímetros e carrega a cicatriz até hoje.
A infância foi confortável até que a separação dos pais mudou completamente a realidade financeira da família. Aos 14 anos, Kaique começou a trabalhar para ajudar nas despesas de casa. Não era uma forma de conquistar independência financeira ou comprar os primeiros desejos da adolescência. Era uma necessidade.
A vida ganhou ainda mais responsabilidade quando ele se tornou pai aos 18 anos. Enquanto muitos jovens ainda buscavam descobrir qual profissão seguir, Kaique já precisava garantir o sustento da filha. Foi nesse momento que a corretagem deixou de ser apenas uma oportunidade e passou a representar um compromisso com o futuro da família.
Foi o pai quem conseguiu para ele uma entrevista em uma imobiliária de Belo Horizonte. Aquela oportunidade marcaria o início de uma trajetória que transformaria sua vida.
“Eu tive que começar a trabalhar com 14 anos para compor a renda da casa”, lembra Kaique.

Aprender a vender pessoas, não imóveis
Kaique passou oito anos trabalhando em imobiliárias, entre elas a Via Nobre. Nesse período, conheceu diferentes etapas da profissão e chegou a assumir um cargo de gerência. A experiência, porém, durou pouco: percebeu rapidamente que sua vocação não era administrar equipes, mas estar ao lado do cliente, conduzindo pessoalmente cada negociação.
A oportunidade de empreender surgiu de forma inesperada. Uma conversa entre amigos durante um lançamento imobiliário acabou dando origem à GKR Imóveis. A sociedade não durou muito, mas deixou um aprendizado importante, e quando o negócio chegou ao fim, Kaique decidiu seguir sozinho.
No início, atendia clientes de dentro de casa e evitava negociar imóveis de maior valor por acreditar que ainda não estava preparado para aquele mercado. A mudança veio depois de uma conversa sincera com um amigo, que o fez perceber que estava trabalhando muito abaixo do próprio potencial. Foi então que passou a concentrar sua atuação no Buritis, especializou-se em imóveis de alto padrão e deixou de tentar vender para todo mundo, entendendo que seu verdadeiro produto nunca seria o imóvel, e sim a confiança.
Hoje atua principalmente com imóveis avulsos, pertencentes a proprietários particulares, negociações que considera mais pessoais e carregadas de significado. Ao longo da carreira, já participou de 397 vendas, e acredita que nenhuma delas começou pela planta do imóvel, e sim pela relação construída com quem estava do outro lado da mesa.
“A gente não vende imóvel. A gente vende contato. Para vender todo mês, você precisa conhecer mais o ser humano do que o próprio imóvel”, explica Kaique.

O escritório de um homem só
Kaique costuma brincar que ocupa todos os cargos da própria empresa. É corretor, administrador, financeiro, responsável pelo marketing e, quando preciso, até faxineiro. Não possui funcionários fixos, apenas parceiros pontuais. Cada cliente fala diretamente com ele do primeiro contato até a entrega das chaves.
Essa proximidade acabou se tornando seu maior diferencial. Enquanto parte do mercado passou a enxergar pessoas apenas como leads, Kaique prefere abolir esse termo. Para ele, existem apenas pessoas, cada uma carregando uma história, expectativas e decisões que vão muito além da compra de um imóvel.
A mesma filosofia orientou sua presença digital. Antes mesmo de os vídeos se popularizarem no mercado imobiliário, já produzia conteúdos, utilizava drones e gimbals para apresentar imóveis e investia na construção de uma presença orgânica nas redes sociais. Desde 2017, desenvolve seu perfil no Instagram sem recorrer à compra de seguidores ou atalhos para ampliar alcance.
Em busca de compreender melhor o comportamento humano, estudou Programação Neurolinguística e incorporou a inteligência artificial à rotina de trabalho para otimizar processos e produzir conteúdo. Ainda assim, faz questão de estabelecer um limite: tecnologia pode acelerar o trabalho, mas confiança continua sendo construída entre pessoas.
“Corretor que fica sentado esperando oportunidade chegar está na profissão errada”, afirma Kaique.

Quando a verdade vale mais que qualquer técnica
Depois de quase duas décadas na corretagem, Kaique chegou a uma conclusão simples: nenhuma técnica de vendas é capaz de substituir a verdade.
Por isso, não promete valorizações em que não acredita, não esconde limitações de um imóvel e nunca pressiona um cliente a tomar uma decisão apenas para fechar uma comissão.
Na visão dele, contratos encerram uma negociação. A confiança construída durante esse processo pode durar uma vida inteira.
Foi essa postura que transformou seu nome em uma referência no mercado imobiliário do Buritis. Ao longo dos anos, construiu relações de parceria com praticamente todas as imobiliárias da região e consolidou uma reputação baseada naquilo que considera seu maior patrimônio: a credibilidade.
“A verdade é acima de tudo”, resume.

O trabalho que financia as lembranças
Kaique costuma dizer que, desde os 14 anos, se somasse todos os dias de folga que tirou, talvez não chegasse a noventa.
Não faz essa conta por orgulho nem como sinal de sacrifício. Para ele, é apenas uma consequência da profissão. Afinal, os melhores dias para vender imóveis costumam ser justamente aqueles em que a maioria das pessoas está descansando.
Mas existe um compromisso que faz questão de preservar. Desde os 12 anos, a filha mora com ele, e independentemente da rotina de trabalho, todo aniversário dela é reservado para uma viagem dos dois, sem reuniões, sem clientes e sem visitas. A comemoração dos 18 anos foi em Fernando de Noronha, onde passaram sete dias inteiramente dedicados um ao outro.
Em uma profissão que exige disponibilidade quase permanente, esse se tornou o momento que Kaique faz questão de proteger.
“Ficamos sete dias só nós dois. Foi bom demais”, lembra.

Muito além dos números
Recentemente, um cliente perguntou a Kaique se ele tinha noção do volume de negócios que movimentava todos os anos. Naquele momento, já havia vendido 21 imóveis em 2026, ultrapassando doze milhões de reais em Valor Geral de Vendas.
Os números impressionam, mas nunca foram aquilo que mais o motivou. Para Kaique, cada negociação carrega uma responsabilidade que não aparece nas planilhas.
Muitas vezes, aquele imóvel representa o maior investimento da vida de uma família. Em outras, marca um recomeço, a realização de um sonho ou o encerramento de um ciclo. É por isso que insiste em conhecer quem está do outro lado da mesa tanto quanto conhece a documentação, a metragem ou os detalhes da construção, procurando entender a história antes de fechar um negócio.
“Às vezes estou vendendo o único imóvel que aquela pessoa vai ter na vida”, diz.

Ensinar o que aprendeu
Durante algum tempo, Kaique cogitou montar uma equipe. A ideia, porém, ficou pelo caminho quando percebeu que seu modelo de trabalho dependia menos de processos e mais de postura. Em vez de ampliar a estrutura, decidiu ampliar o impacto.
Nos últimos anos, lançou um treinamento para corretores, passou a ministrar palestras e começou a compartilhar a experiência acumulada ao longo de quase duas décadas de mercado. Seu objetivo não é ensinar fórmulas para vender mais, mas mostrar que resultados consistentes nascem da construção de credibilidade.
Ao mesmo tempo, começa a desenhar um novo capítulo da própria história. Comprou um apartamento em João Pessoa e sonha, no futuro, viver no litoral, mantendo a atuação no mercado imobiliário com uma rotina mais tranquila. Não pretende construir uma grande imobiliária nem administrar dezenas de profissionais. O que busca é qualidade de vida, sem abrir mão dos valores que o trouxeram até aqui.
“Antes de fazer dinheiro, você tem que aprender sobre o ser humano”, aconselha aos jovens que desejam seguir a profissão.

O legado de quem escolheu vender confiança
Ao longo de quase duas décadas de carreira, Kaique Parreira descobriu que imóveis são apenas o cenário. O verdadeiro negócio sempre acontece entre pessoas.
Foi essa convicção que guiou todas as suas escolhas: trabalhar sozinho, acompanhar cada cliente de perto, dizer a verdade mesmo quando ela dificulta uma negociação e entender que, para muitas famílias, aquele imóvel representa o maior investimento de uma vida.
Em um mercado frequentemente associado a metas, números e comissões, construiu uma trajetória baseada em um ativo que não aparece em contratos nem em planilhas: a confiança. Talvez seja justamente por isso que continue crescendo sem precisar abrir mão daquilo em que acredita.
Porque imóveis podem mudar de dono muitas vezes. A confiança, quando é conquistada de verdade, permanece.
