Fundador da Torus, Nickolas Pogere transformou uma agência criada durante a pandemia em uma empresa de atuação internacional. Aos 24 anos, construiu uma trajetória marcada por disciplina, visão de longo prazo e a convicção de que toda grande conquista começa pela forma como se escolhe pensar.
Nickolas Pogere tinha 18 anos quando começou a transformar pequenos trabalhos de marketing em algo maior; a formalização da empresa viria um ano depois. Somente nos últimos anos, a Torus já soma mais de R$ 3 milhões em faturamento acumulado, ganhou clientes em oito países e iniciou sua expansão internacional. Aos 24 anos, porém, ele acredita que sua maior conquista não foi construir uma empresa, mas a mentalidade capaz de criar tudo isso.
Essa forma de pensar começou muito antes do primeiro cliente: construída dentro de casa, fortalecida pela juventude e consolidada por uma convicção que Nickolas carrega até hoje. Resultados consistentes não são fruto da sorte nem de atalhos, mas consequência de decisões tomadas diariamente, quase sempre quando ninguém está olhando.
Da infância marcada por mudanças de cidade até a criação da Torus, passando pelas dificuldades do início da carreira e pela cultura empresarial voltada para pessoas, cada capítulo ajudou a formar um empreendedor que investe primeiro na própria evolução para depois colher resultados.
Uma história de coragem e propósito
Muito antes da Torus existir, a história de Nickolas já havia sido marcada pela coragem dos pais. Depois de anos tentando ter filhos, o casal descobriu que a gravidez natural seria impossível. Decidida a não desistir do sonho da maternidade, Sônia, mãe de Nickolas, esgotou cada recurso ao seu alcance: financiou o que pôde, pediu dinheiro emprestado, economizou até o último centavo. Não havia margem para erro, era uma única chance, e precisava dar certo. Reuniu assim o suficiente para viajar sozinha a São Paulo e se submeter a um tratamento de fertilização in vitro, apostando tudo numa possibilidade cercada de incertezas.
Dessa decisão nasceram Nickolas Pogere e seu irmão gêmeo, Árthur Zancan Pogere. Enquanto Cláudio trabalhava como executivo da BRF, multinacional brasileira do setor de alimentos, Sônia assumia a rotina da casa e a criação dos filhos. Crescer observando o esforço silencioso dos dois deu à palavra responsabilidade um significado maior do que qualquer obrigação cotidiana.
Anos depois, ao entender tudo o que os pais enfrentaram para que ele nascesse, Nickolas passou a ver suas conquistas sob outra perspectiva: o sucesso deixou de ser só realização pessoal e passou a representar uma forma de honrar essa história de coragem, renúncia e propósito.
“Eu vi tudo o que eles fizeram e sinto que preciso fazer valer a pena.”

As primeiras lições de liderança
A carreira de Cláudio levou a família a viver em diferentes cidades durante a infância de Nickolas: nasceu em Francisco Beltrão, no Paraná, passou por Passo Fundo, Canoas e São Paulo até chegar a Curitiba, onde construiu praticamente toda a trajetória. Cada mudança trazia novos amigos, ambientes e desafios, mas ensinava uma lição que o acompanharia pelo resto da vida: crescer exige capacidade de adaptação.
Embora Cláudio passasse longos períodos viajando a trabalho, sua influência nunca deixou de ser presente: foi dele que Nickolas herdou a facilidade para se comunicar e construir relacionamentos, enquanto de Sônia vieram a disciplina, a organização e a constância. Hoje percebe que essa combinação moldou não só sua personalidade, mas a forma como conduz pessoas e toma decisões.
Além da família, referências externas ajudaram a moldar sua trajetória. Ainda adolescente, passou a acompanhar de perto empreendedores digitais como Raiam Santos e Áquila Nolasco. Mas foi Iman Gadzhi quem realmente o marcou: enquanto os amigos discutiam estágios e mais uma faculdade, o olhar de Nickolas estava em Iman, que aos 18, 19 anos já faturava dezenas de milhares de libras por mês construindo empresas. Ver alguém tão próximo da sua idade vivendo aquilo mostrou a Nickolas que era possível.
“Da minha mãe, herdei a sabedoria, aprendi a cultivar a paciência e enxergar a longo prazo. Do meu pai, aprendi a me comunicar, a compreender as pessoas, a pensar fora da caixa, a persuadir, a vender e a fazer acontecer.”

Muito antes da Torus
O espírito empreendedor apareceu cedo. Ainda criança, Nickolas já encontrava maneiras de transformar criatividade em oportunidade: vendia pulseiras que ele mesmo fazia, vendia desenhos, e foi se aventurando em várias empreitadas desse tipo, além de assumir naturalmente a liderança dos trabalhos escolares e gostar de tirar ideias do papel. Não era uma busca por dinheiro, mas o prazer de construir algo que antes existia apenas na imaginação.
Na adolescência, esse interesse ganhou novos contornos: foram mais de 20 simulações da Organização das Nações Unidas, nacionais e internacionais, que aperfeiçoaram seu networking, comunicação, negociação e relacionamentos, e renderam destaques e premiações em algumas edições. No Rotary, chegou a coordenar projetos a nível municipal e estadual, entre eles o Share, de doação de sangue, e foi honrado com o Prêmio Harold Thomas pelos serviços prestados ao Interact. Foi nesse ambiente que conheceu Belen Fernandez, que se tornaria companheira de vida e figura decisiva na história da Torus.
Na FAE Business School, Nickolas ingressou no MEP (Management Exchange Program), curso de formação em empreendedorismo bem conceituado na cidade. Contrariando recomendações e opiniões, abandonou o curso ao perceber uma chance de estágio na área em que queria se desenvolver, e migrou para Administração no período noturno, uma escolha que parecia um retrocesso aos olhos de quem estava de fora. Ele já pensava no longo prazo: os frutos viriam das experiências, não do prestígio do curso. Foi assim que começou a estagiar em uma agência de marketing, por R$ 400 por mês. O salário era pouco, mas o aprendizado valia mais que a remuneração. Anos depois, complementaria essa formação com vários outros cursos, alguns de longa duração, além de formações mais curtas em São Paulo, Brasília e outras cidades, cobrindo não só gestão, mas também pessoas, cultura, vendas e marketing. Paralelamente, já desenvolvia logotipos e identidades visuais para pequenos clientes, construindo, projeto após projeto, as bases da empresa que transformaria sua trajetória.
“Eu sempre tive sonhos muito grandes. Eu só ainda não sabia exatamente como eles iam acontecer. Entendi que conquistaria tudo o que sempre sonhei através do empreendedorismo.”

Quando uma ideia ganhou forma
Enquanto conciliava faculdade, estágio e os primeiros clientes, Nickolas ainda via o empreendedorismo como um projeto para o futuro. Foi Belen quem insistiu para que ele acreditasse no próprio potencial e transformasse aqueles trabalhos paralelos em uma empresa de verdade. Aos poucos, a ideia deixou de parecer distante e passou a ocupar espaço em suas conversas, planos e sonhos.
Durante uma viagem em casal a Itapema, em Santa Catarina, sentado diante de um iPad, Nickolas desenhou a identidade visual da empresa: pesquisou referências e escolheu o nome Torus, sem ainda saber no que aquilo se transformaria. A cultura da empresa foi definida aos poucos, nos meses seguintes, muito antes de conquistar o primeiro grande cliente. Naquele momento, havia mais disposição para começar do que um plano definido.
Os primeiros meses exigiram dedicação total. A primeira cliente pagava R$ 200 por mês, valor parecido com o que Nickolas já cobrava por logotipos antes mesmo de existir a empresa. Foi nessa fase que Belen se mudou para a Itália para continuar os estudos, e ele seguiu tocando o negócio sozinho no Brasil.
“Ela plantou a semente que, depois de muitos dias e esforço, se tornaria a Torus.”

Resultados são consequência
A trajetória da Torus esteve longe de ser linear. Como a maioria das empresas em crescimento, teve momentos de incerteza, perda de clientes e decisões que precisaram ser revistas. Em vez de enxergar essas situações como fracassos, Nickolas as transformou em aprendizado, tratando cada obstáculo como oportunidade de aperfeiçoar processos, fortalecer a equipe e amadurecer como líder.
Essa postura definiu também sua maneira de empreender. Para ele, resultados duradouros não vêm só dos momentos de crescimento, mas principalmente de como a empresa reage às dificuldades. Assumir responsabilidades, corrigir erros e seguir em frente sempre fizeram mais sentido do que procurar culpados.
Com o passar dos anos, os números passaram a refletir essa construção. A Torus passou a atender clientes em oito países, incluindo Estados Unidos, Emirados Árabes, Holanda, Espanha, Itália, Chile e Argentina. Para ele, porém, esses resultados nunca foram um ponto de chegada, mas a consequência de um trabalho consistente ao longo do tempo.
“Eu nunca pensei em enriquecer rápido. Sempre pensei em construir alguma coisa que continuasse de pé daqui a muitos anos.”

A mentalidade veio antes dos resultados
A construção da própria mentalidade ocupa um espaço central na trajetória de Nickolas. Nos últimos anos, passou a estudar comportamento humano, filosofia, psicologia, liderança e desenvolvimento pessoal com a mesma intensidade dedicada aos negócios, convicto de que nenhuma estratégia sustenta uma empresa quando o empreendedor ainda não aprendeu a sustentar a si mesmo.
Essa visão transformou sua maneira de enxergar o sucesso. Em vez de buscar recompensas imediatas, aprendeu a pensar no longo prazo, abrir mão de resultados momentâneos e investir continuamente na própria evolução. Mantém, no quarto e no escritório, um quadro com metas e imagens do que pretende conquistar, além de um documento anual com objetivos específicos para cada área da vida. Essa prática, somada à meditação e à visualização, virou rotina, sempre com o objetivo de decisões mais conscientes. Para Nickolas, sua vida já foi criada e concebida em sua mente; ele apenas coloca em prática o que já enxergou, vivendo como se tudo já tivesse acontecido.
É essa filosofia que orienta todas as áreas da sua vida: antes de desenvolver uma empresa, Nickolas acredita que foi preciso desenvolver a si mesmo, já que toda organização se torna, inevitavelmente, reflexo da mentalidade de quem a lidera.
“Eu sempre estive com os pés no chão, mas olhando para cima.”

Liderar pelo exemplo
Os mesmos princípios que orientam a vida de Nickolas definem a cultura da Torus. Disciplina, responsabilidade, transparência e excelência deixaram de ser conceitos e passaram a orientar o dia a dia da empresa. Para ele, liderar não é só tomar decisões, mas demonstrar, pelas próprias atitudes, o comportamento que espera das pessoas ao redor. Um exemplo simples ilustra essa postura: na Torus, não se diz “bom dia”, mas “ótimo dia”; não se fala em “problemas”, mas em “desafios”; não existe “equipe”, existe “time”. São pequenos ajustes de linguagem que, segundo ele, refletem a forma como enxergam o próprio trabalho e o padrão que a empresa busca entregar aos clientes.
Essa visão aparece até nos detalhes. Nickolas acredita que grandes culturas organizacionais nascem de pequenas atitudes repetidas diariamente, por isso prefere aperfeiçoar o que considera essencial a buscar soluções extraordinárias para problemas simples. Para ele, consistência vale mais que intensidade, e não por acaso grande parte do time que começou com ele segue na Torus até hoje.
Seu maior objetivo nunca foi criar uma empresa dependente da figura do fundador; ao contrário, procura formar pessoas preparadas para assumir responsabilidades, liderar equipes e ajudar a Torus a crescer de forma sustentável, independentemente do tamanho que venha a alcançar.
“A gente não faz nada mirabolante. A gente faz o básico extremamente bem feito.”

Prosperidade como legado
Fora do ambiente empresarial, Nickolas mantém o mesmo compromisso com a evolução constante: já fez 2 maratonas, pratica esportes, toca violão e guitarra e faz questão de conhecer novas culturas sempre que viaja. Por conta da empresa e da vida pessoal, tornou-se fluente em inglês e espanhol, este último aprendido em boa parte no convívio com Belen e a família dela, argentina. Cada experiência amplia sua visão de mundo e traz algo que pode ser levado para a vida e para os negócios.
Essa busca por desenvolvimento também orienta seus planos para o futuro. A expansão internacional da Torus segue sendo prioridade, mas está longe de ser o único objetivo: a empresa definiu como propósito gerar um bilhão de dólares em valor para o mundo até 2035, meta que Nickolas trata também como pessoal, e não só corporativa.
Para Nickolas, prosperidade nunca esteve ligada só ao crescimento de um negócio, mas à capacidade de evoluir continuamente e ajudar outras pessoas a encontrar oportunidades de construir suas próprias histórias.
“Prosperidade é deixar as pessoas melhores depois que elas passam pela nossa vida.”

A história de Nickolas Pogere está apenas começando, com novos mercados e desafios surgindo à medida que a Torus amplia sua atuação. Mas nenhuma dessas conquistas começou quando a empresa foi criada, e sim na coragem dos pais que lutaram para formar uma família, nos valores aprendidos dentro de casa e na decisão diária de investir mais na própria mentalidade do que nos resultados imediatos.
Talvez seja por isso que Nickolas fale tão pouco sobre sucesso e tanto sobre evolução. No fim, é essa mentalidade que continua sendo o maior patrimônio de um empreendedor como ele.