Nascido no interior do Maranhão, o empreendedor de 32 anos comanda em São Paulo um estúdio dedicado exclusivamente a tratar da saúde capilar e autoestima através do mega hair, apresenta um podcast, é sócio de uma agência de marketing digital e prepara sua estreia educacional, trazendo para o digital toda a sua expertise adquirida ao longo de mais de 15 anos. Uma carreira construída por anos nos bastidores, até o mercado exigir que ele mostrasse o próprio rosto.

Um apartamento antes de qualquer profissão

Algumas trajetórias começam com uma profissão definida. A de Rômulo Lopes começou com uma meta: mudar a vida da mãe. Hoje, aos 32 anos, ele comanda em São Paulo o RL Studio Mega Hair, apresenta o RL Podcast, é estrategista digital e sócio de uma agência de marketing e se prepara para lançar seu primeiro curso online. O caminho até os negócios que comanda hoje foi construído entre mudanças de carreira, experiências nos bastidores e a necessidade de aprender a ocupar o próprio lugar diante das câmeras. 

Rômulo nasceu em Santa Inês, no Maranhão, e cresceu como caçula e único homem entre três irmãs. A mãe sustentou os filhos sozinha trabalhando com beleza, enquanto o pai permaneceu no Maranhão. A falta de aceitação paterna em relação à sua homossexualidade também marcou sua formação e ajudou a alimentar uma necessidade de provar seu valor.

Aos 17 anos, com as duas irmãs já fora de casa, surgiu a chance de trabalhar em São Paulo. O risco de sair do Maranhão era grande, mas havia uma razão concreta para enfrentá-lo: comprar um apartamento para a mãe, que havia passado anos lidando com o peso do aluguel.

“Eu saí de casa com um propósito: comprar o apartamento da minha mãe”.

Quando o trabalho era viver a agenda dos outros

Antes de chegar ao entretenimento, Rômulo já tinha alguma experiência com os bastidores da música. Ainda no Maranhão, dançava e fazia trabalhos como freelancer em bandas de forró e axé, circulando entre artistas e equipes. Mais tarde, em Campo Grande, deixou uma loja de jeans e recebeu de uma amiga daquela época o convite para trabalhar em um escritório de agenciamento artístico em São Paulo.

Três meses depois, uma nova proposta o levou ao Rio de Janeiro para acompanhar Valesca Popozuda durante a transição da Gaiola das Popozudas para a carreira solo. Foram um ano e nove meses no Rio de Janeiro, depois de três meses em São Paulo. Entre aeroportos, rodoviárias e compromissos, Rômulo conseguiu juntar o dinheiro para comprar o apartamento da mãe.

A meta estava cumprida. A rotina, porém, já não fazia sentido. De volta a São Paulo, ele passou a procurar uma profissão que permitisse algum controle sobre o próprio tempo. Foi aí que uma indicação abriu uma porta que ele sequer sabia que existia.

“Eu não sabia fazer nada naquele momento. O que eu sempre tive foi disposição e vontade”.

O salão que virou profissão

A indicação o levou a um salão especializado em mega hair. Rômulo entrou como auxiliar e ficou cerca de seis anos. Nesse período, passou a atuar como profissional, assumiu funções de gestão e ajudou a administrar os cursos do negócio. Quando entrou, as duas proprietárias comandavam a operação; quando saiu, elas já estavam montando a quarta unidade, em Porto Alegre.

O que fez Rômulo permanecer foi menos a técnica do que o que acontecia na cadeira. Ele acompanhou clientes que se emocionavam ao se ver novamente com o cabelo que desejavam. A atividade que parecia provisória passou a ser, para ele, uma forma de trabalhar autoestima.

A experiência também mudou sua percepção sobre o próprio valor. Mesmo sem se reconhecer inicialmente como empresário, ele construiu uma carteira de clientes e começou a enxergar que poderia sair dos bastidores do salão para construir uma operação própria.

“Não era só cabelo. Era a vida delas, era a autoestima, era a pessoa conseguir se olhar de novo”.

Quando o primeiro negócio encontrou a pandemia

A decisão de abrir o próprio salão veio com uma cliente que se tornou sócia e amiga. Os dois inauguraram o espaço em 1º de fevereiro de 2020. Pouco mais de um mês depois, veio o lockdown em São Paulo.

Rômulo havia colocado dinheiro próprio na estrutura, usava limite de cartão para comprar equipamentos e carregava uma equipe de 15 colaboradores. Com o salão fechado, passou a atender a domicílio, cruzando a cidade de metrô, ônibus e carro de aplicativo. As clientes continuavam procurando manutenção, mesmo em casa, e a demanda começou a crescer.

Parte da equipe voltou a trabalhar com ele, sempre conforme a possibilidade de cada profissional. Rômulo diz que aquele período se tornou a fase em que mais ganhou dinheiro. Mas, quando o negócio começava a colher os resultados, a sócia morreu em decorrência da Covid-19. O luto trouxe outra responsabilidade: manter de pé o negócio que os dois haviam construído.

“A minha forma de aceitar o luto foi meter a cara no trabalho. Virou propósito fazer dar certo.”

As celebridades abriram a porta para as câmeras

A continuidade do salão levou a uma nova oportunidade. Um amigo dos tempos da Gaiola o indicou para cuidar do cabelo de MC Mirella, que entraria em A Fazenda. Com a participação no programa e a divulgação do trabalho nas redes sociais, a procura cresceu. Vieram outras influenciadoras, entre elas Anny Borges, Gabily, Jaqueline, Di Nathi, MC Rebeca, além de outros nomes ligados a reality shows.

Durante anos, Rômulo havia usado a imagem das famosas para divulgar o próprio trabalho. O comportamento do público, porém, começou a mudar. As pessoas queriam saber quem estava por trás da técnica. Enquanto profissionais com menos experiência apareciam mais nas redes e lotavam agenda, a agenda de Rômulo e a equipe começou a perder ritmo.

Foi nesse momento que uma cliente, esposa de um diretor de televisão, o incentivou a apresentar um podcast. O convite para o programa PodVivax, da Rede VivaxTv , que colocou Rômulo diante das câmeras. Ele se aprimorou, buscou referências e permaneceu cerca de dois anos na apresentação. O que começou como uma dificuldade virou uma nova habilidade.

“Pessoas se conectam com pessoas”.

A técnica ganhou método, e o método virou ensino

A exposição ajudou Rômulo a consolidar outra escolha: trabalhar exclusivamente com mega hair. Entre as técnicas que conheceu ao longo da carreira, ele passou a utilizar micro e nano cápsulas de queratina, com aplicação personalizada após avaliação presencial. O objetivo, segundo ele, é adaptar o procedimento à necessidade de cada cliente, do comprimento à correção de áreas específicas, como uma franja danificada.

A especialização também o aproximou de pessoas que chegam ao salão depois de enfrentar corte químico, falhas no couro cabeludo, bariátrica ou emagrecimento acelerado. Nesses casos, o trabalho é apresentado como recurso estético. Rômulo considera um bom resultado quando a cliente recupera o cabelo natural e deixa de precisar do alongamento.

O conhecimento acumulado também começou a sair da cadeira. A pedido de outros cabeleireiros, Rômulo estruturou e chegou a ministrar vários cursos presenciais em todo Brasil sobre a sua técnica exclusiva e passou a transformar experiência em metodologia. Entre os materiais criados neste processo está o e-book Transformando Vidas com Mega Hair. O próximo passo foi perceber que dominar uma técnica não bastava para quem queria viver dela.

“A pessoa aprendia a técnica, mas não sabia como se posicionar e divulgar aquele trabalho”.

A história virou estratégia de negócio

A experiência com as câmeras ajudou Rômulo a enxergar outra oportunidade. Em janeiro, ele abriu a R&R Mídia Digital, agência de marketing digital estratégico, em sociedade com o amigo Rodolfo Rodrigues. O problema que a agência tenta resolver é próximo daquele que ele próprio enfrentou: profissionais que têm conhecimento, mas não conseguem transformar esse conhecimento em presença digital.

O RL Podcast funciona como uma dessas pontes. Ao entrevistar empreendedores, Rômulo cria um ambiente em que o convidado conversa com outra pessoa, e não diretamente com a câmera. A estratégia ajuda a trabalhar posicionamento e conteúdo. Parte desses empreendedores também passa a ser atendida pela agência.

A expansão não termina aí. Nos dias 1º e 2 de novembro, Rômulo prepara a primeira turma do curso online, pelo ao vivo pelo Zoom, com vagas limitadas com 10 a 15 alunos. A proposta vai além de dominar técnicas de  mega hair, e inclui mentalidade, espiritualidade, marketing e posicionamento estratégico. Escalando um plano de funil o projeto  do curso, e a ideia é oferecer uma mentoria individual exclusiva para acompanhar a estruturação dos negócios e o plano de carreira dos alunos.

“Eu quero deixar o legado, que é abençoar a vida de outras pessoas com a o meu conhecimento e provar que é possível você ter amor por uma profissão e ser bem-sucedido com ela”.

O legado começa quando o conhecimento circula

A meta que tirou Rômulo do Maranhão aos 17 anos era simples e concreta: comprar um apartamento para a mãe. A partir dela, vieram outras mudanças. O produtor virou especialista em mega hair. O especialista virou comunicador. O comunicador passou a atuar como estrategista digital e  marketing. E a experiência acumulada começou a virar ensino.

Agora, o movimento é fazer esse conhecimento circular. Rômulo quer abençoar e formar profissionais capazes de dominar uma técnica, construir um posicionamento de valor e encontrar uma forma sustentável de prosperar e ter qualidade de vida através do seu negócio. Depois de passar anos ajudando outras pessoas a aparecerem, ele transformou o próprio rosto em uma marca de valor e parte do negócio. E é desse protagonismo que pretende construir a próxima etapa da carreira.

@euromulolopes @rlstudiomegahair