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Leilões de imóveis avançam com juros altos e atraem nova geração de investidores
Economia
31.07.2026

Leilões de imóveis avançam com juros altos e atraem nova geração de investidores

Mercado movimentou R$ 420 bilhões em 2025 e registra crescimento impulsionado pelo crédito caro, aumento da inadimplência e descontos que podem superar 30%.

Os leilões de imóveis deixaram de ser uma estratégia restrita a investidores especializados para ganhar espaço entre pessoas físicas em busca de oportunidades no mercado imobiliário. Segundo dados da plataforma SPY Leilões, o segmento movimentou R$ 420 bilhões em 2025, período em que foram realizados 299.732 leilões em todo o país. Apenas no primeiro semestre, 116,6 mil imóveis foram arrematados, crescimento de 25,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O avanço ocorre em um cenário de juros elevados e crédito imobiliário mais restritivo. Com financiamentos mais caros e maior pressão financeira sobre as famílias, cresce tanto a oferta de imóveis retomados por instituições financeiras quanto o interesse de investidores que enxergam nos leilões uma oportunidade de adquirir ativos com descontos relevantes.

Os descontos continuam sendo o principal atrativo da modalidade. De acordo com a Associação Brasileira de Arrematantes de Imóveis (Abraim), os imóveis são negociados, em média, por 37,3% abaixo do valor de avaliação, oferecendo uma margem inicial que muitos investidores consideram estratégica diante da valorização mais moderada do mercado tradicional.

Ao mesmo tempo, o número de brasileiros que enxergam imóveis como ativos financeiros segue crescendo.

Dados da B3 mostram que o total de investidores pessoas físicas em fundos imobiliários ultrapassou 3,1 milhões em março de 2026, evidenciando o fortalecimento da cultura de investimento no setor e a busca por alternativas além da compra convencional.

Descontos médios de 37,3% em relação ao valor de avaliação ajudam a explicar por que os leilões imobiliários vêm atraindo cada vez mais investidores.

Dados da Associação Brasileira de Arrematantes de Imóveis (Abraim).

Especialistas alertam, porém, que oportunidades atrativas exigem análise cuidadosa. Questões como ocupação do imóvel, pendências jurídicas, custos de regularização e despesas adicionais podem influenciar significativamente a rentabilidade do investimento. Por isso, a leitura detalhada do edital permanece uma etapa indispensável antes de qualquer lance.

Mais do que refletir um momento econômico específico, o crescimento dos leilões imobiliários demonstra como investidores têm adaptado suas estratégias diante de um ambiente de juros elevados. Em um mercado cada vez mais orientado por análise de risco e busca por ativos descontados, essa modalidade consolida seu espaço como uma alternativa relevante para diversificação patrimonial.

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