Do início simples no litoral paulista à gestão de grandes famílias na maior corretora da América Latina, Renato Junqueira construiu uma carreira marcada por superação, determinação, estudo e relacionamento. Hoje, atua com patrimônios familiares a partir de R$ 5 milhões e defende que seu principal trabalho não é apenas cuidar de investimentos, mas conquistar e preservar a confiança de quem lhe entrega o que levou uma vida para construir.
A carreira começa antes do mercado financeiro
Renato Junqueira chegou ao mercado financeiro depois de passar por diferentes áreas e descobrir, ainda jovem, que queria construir uma carreira executiva. Nascido em São Vicente, no litoral paulista, cresceu em uma família simples, filho de um motorista de ônibus e de uma secretária.
Os pais fizeram da educação uma prioridade e ensinaram disciplina e valores. Aos 16 anos, Renato começou a trabalhar, passando por comércios, McDonald’s e uma transportadora.
Foi nessa última experiência que decidiu mudar de direção. Sem perspectiva de crescimento, escolheu o mercado financeiro. A característica que reconhece como decisiva em sua trajetória já estava presente: a determinação.
“Sou muito determinado: nunca me propus uma meta que não tenha alcançado”.

Quando a oportunidade não bate à porta
A decisão de entrar em um banco não veio acompanhada de contatos ou indicações. Renato criou a própria estratégia. Em 2013, percorreu as agências bancárias em Santos. Apresentava-se aos gerentes e dizia que queria iniciar uma carreira executiva.
A abordagem funcionou. Entrou no maior banco privado do país como estagiário e passou por diferentes funções até chegar à gerência de empresas. Depois, foi para outra grande instituição , onde atuou como gerente pessoa física e de alta renda.
No varejo bancário, porém, sentia que estava limitado à venda de produtos. Queria compreender investimentos, patrimônio e riqueza. Para chegar a um banco de investimentos , repetiu a estratégia, desta vez pelo LinkedIn. Procurava superintendentes, perguntava o que esperavam de um profissional de investimentos e comparava os requisitos com sua própria formação buscando aperfeiçoa-la.
“Eu quero trabalhar além dos investimentos. Gerir patrimônio e ajudar a perpetuar riqueza. E não só vender produto”.

O dinheiro deixou de ser o centro
A mudança de foco também transformou o profissional que Renato queria ser. Graduado em Relações Públicas, fez pós-graduação em Gestão e Liderança, MBA em Finanças, Investimentos e Banking pela PUCRS formação internacional em negociação e mediação de conflitos pelo BBI Of Chicago.
A formação reuniu três áreas que hoje considera essenciais: gestão, finanças e pessoas. No segmento Unique, da XP, Renato atua com gestão patrimonial e atende clientes com patrimônio a partir de R$5 milhões.
O reconhecimento veio junto com essa mudança de atuação. Renato recebeu, em 2026 o Liga XP Awards, reconhecimento relacionado à atuação de profissionais que se destacam por resultados, qualidade de atendimento e na gestão de portfólio de clientes. Na entrevista, ele também destaca que, nos cinco anos de XP, esteve por quatro anos consecutivos entre os 25 melhores banqueiros da instituição.
Seu trabalho envolve investimentos, planejamento patrimonial, sucessório e tributário, governança familiar, riscos e diversificação. Grande parte dos clientes são empresários e famílias empresárias, já na segunda ou terceira geração.
Nesses casos, o desafio é organizar um patrimônio que precisa atravessar gerações. Para isso, conta com um ecossistema para auxiliar as famílias nas tomadas de decisão.
“Depois de formado em Relações Públicas, fui me aproximando cada vez mais da área financeira. Hoje, finanças e investimentos são meu core business. Mas, no fim, descobri que o mais importante estava em entender de pessoas”.

Servir antes de vender
A experiência acumulada levou Renato a definir os princípios que orientam sua atuação. Servir, buscar excelência, manter a lealdade e agir com transparência estão entre os valores que considera inegociáveis. Mesmo que isso signifique perder um negócio.
Essa postura muda a relação com os clientes. Para Renato, por trás de cada patrimônio existe uma pessoa, uma família e decisões que não cabem em uma planilha
Na prática, isso significa estar presente também quando o problema não está diretamente ligado ao trabalho. Em uma situação relatada durante a entrevista, ele conta que foi até um hospital buscar exames de uma cliente que havia sofrido um golpe. Para ele, o gesto fazia parte da responsabilidade de cuidar de quem confiou nele.
“Eu posso perder o negócio, mas se eu ganhei a confiança da pessoa sinto que fiz meu trabalho”.

O patrimônio que não cabe em números
Fora do trabalho, Renato mantém uma rotina simples. Casado há quase três anos, é pai de um menino, de nove anos. O tênis se tornou o seu principal hobby e ocupa boa parte do tempo livre.
Para ele, uma sexta-feira ideal não envolve necessariamente uma viagem ou um restaurante. É estar em casa com a esposa e o filho, desacelerar e recuperar o tempo que a agenda profissional costuma consumir.
A família também mudou sua perspectiva sobre responsabilidade. Quando seu filho nasceu, Renato tinha 25 anos. Com a sua chegada reforçou a necessidade de seguir em frente e construir uma vida que pudesse sustenta-lo.
“Eu sou um cara de gostos muito simples. A sexta-feira ideal para mim é estar com a minha esposa, meu filho em casa, em um momento um pouco mais tranquilo”.

Quando os valores são colocados à prova
A trajetória também teve momentos em que Renato precisou escolher entre uma oportunidade e os próprios princípios. Em determinado episódio profissional, não seguiu uma orientação que contrariava seus valores. O resultado custou a ele uma oportunidade importante.
A experiência deixou uma regra: nenhuma promessa, dinheiro ou avanço profissional vale o preço de abrir mão da integridade.
Essa coerência também aparece na forma como Renato enxerga a confiança. Administrar um patrimônio significa receber um voto de confiança proporcional à responsabilidade envolvida. Por isso, o compromisso assumido precisa ser cumprido.
“Acredito plenamente que não vale a pena ultrapassar meus valores. Nada compensa abrir mão dos próprios princípios”.

O próximo passo é continuar construindo
A carreira de Renato continua em movimento. A gestão patrimonial é um projeto de vida, com a intenção de seguir atendendo famílias cada vez mais robustas. Hoje, ele se especializa em gestão de family offices no Insper.
Para quem pretende entrar no mercado financeiro, sua recomendação combina duas exigências: estudar continuamente e aprender a ouvir. A área muda todos os dias, mas o profissional também precisa identificar necessidades que muitas vezes o próprio cliente ainda não consegue formular.
É nessa combinação que Renato projeta o futuro. Quer ampliar sua atuação na gestão patrimonial e ajudar famílias a tomar decisões melhores e preservar o que construíram.
“O primeiro passo é gostar de estudar. E o segundo passo é gostar de pessoas, saber escutar de fato, saber ouvir as pessoas e ler nas entrelinhas o que elas precisam”.

Legado em movimento: confiança que permanece
Ao olhar para a própria trajetória, na visão de Renato, sucesso está muito mais ligado às pessoas que ele auxiliou à qualquer outra conquista pessoal. Sua métrica é perceber o quanto seus pais, que tanto batalharam para lhe prover o ensino, se orgulham do que ele vem construindo.
Seu legado, por isso, está menos ligado aos números que administra e mais à reputação construída ao longo do caminho.
A história começou em uma família simples, passou por empregos diversos, portas que foram fechadas, estudo e mudanças de carreira. Hoje, chega às famílias que confiam a Renato não apenas seus investimentos, mas decisões que atravessam gerações.
A lógica continua a mesma: estar preparado para a oportunidade e honrar a confiança recebida.
Afinal, conquistar confiança pode ser o começo. Mantê-la é o verdadeiro desafio.

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