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A próxima disputa da internet acontece nos 6 GHz. O que isso muda no Brasil
TECH
26.09.2026

A próxima disputa da internet acontece nos 6 GHz. O que isso muda no Brasil

Anatel colocou em consulta pública proposta para licitar 700 MHz da faixa superior de 6 GHz e, ao mesmo tempo, abriu discussão sobre Wi-Fi 7 em ambientes externos

Quando o consumidor pensa em melhorar a internet, normalmente pensa em fibra óptica, roteador ou velocidade contratada. Nos bastidores, porém, existe outro recurso fundamental para a expansão da conectividade: o espectro de radiofrequências.

É nesse espaço que a Anatel está desenhando uma nova etapa para a faixa de 6 GHz. Em setembro, a Agência colocou em consulta pública uma proposta de edital para autorizar o uso de 700 MHz da faixa superior, entre 6.425 MHz e 7.125 MHz, destinada ao Serviço Móvel Pessoal. O planejamento atual prevê a realização da licitação até 2028.

A proposta divide o espectro em três blocos nacionais ou regionais de 200 MHz e um bloco de 100 MHz. Além da autorização de uso da faixa, o modelo prevê compromissos relacionados à ampliação de cobertura móvel e à implantação de infraestrutura digital, incluindo data centers regionais.

O espectro deve ser disponibilizado no momento certo — nem antes, nem depois. | Alexandre Freire, conselheiro da Anatel, ao explicar a estratégia brasileira para a faixa de 6 GHz.

O 6 GHz não significa uma única tecnologia

A discussão fica mais interessante porque a faixa de 6 GHz não envolve apenas telefonia móvel. A Anatel também abriu nesta sexta-feira, 25 de setembro, duas consultas públicas para estabelecer regras para o Wi-Fi em ambientes externos, incluindo equipamentos compatíveis com gerações mais recentes, como o Wi-Fi 7.

A proposta atual separa diferentes usos dentro da faixa. A parte inferior, de 5.925 a 6.425 MHz, está associada ao uso de Wi-Fi, enquanto a faixa superior, de 6.425 a 7.125 MHz, foi destinada ao Serviço Móvel Pessoal e está sendo preparada para futura licitação.

Para o usuário, a diferença pode parecer técnica. Para empresas, ela está diretamente relacionada à capacidade das redes. Mais espectro e canais mais largos podem ajudar a suportar maior volume de dados e aplicações que exigem conectividade constante, especialmente em ambientes empresariais e industriais.

A própria Anatel relaciona a evolução da faixa ao crescimento do tráfego de dados e à necessidade de blocos de espectro mais amplos para tecnologias avançadas.

O impacto pode chegar muito além do celular

A discussão sobre o 6 GHz interessa às empresas porque conectividade deixou de ser apenas uma ferramenta de comunicação. Indústria, logística, varejo, hospitais, escritórios e operações de campo dependem cada vez mais de redes capazes de transportar grandes volumes de dados com baixa latência.

O edital em consulta pública também prevê um Compromisso de Infraestrutura Digital Regional, com data centers nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A ideia é ampliar a distribuição da infraestrutura de processamento e interconexão de dados, reduzindo a necessidade de que o tráfego percorra longas distâncias até os principais centros.

A Anatel prevê ainda que os projetos apoiados pelos compromissos do certame operem em regime de acesso aberto, neutro e não discriminatório, com mecanismos de acompanhamento e auditoria.

A consulta pública do edital da faixa superior permanece aberta até 23 de outubro, enquanto as consultas sobre Wi-Fi 6 GHz para ambientes externos também estão em andamento.

O que está em discussão, portanto, não é simplesmente uma nova frequência para deixar o celular mais rápido. O 6 GHz faz parte de uma disputa maior sobre quem terá acesso a mais capacidade de rede, onde a infraestrutura será instalada e como o Brasil vai preparar sua conectividade para a próxima geração de serviços digitais.

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