Revista Prospere
O consumidor quer a tecnologia que dure, não apenas lançamentos
TECH
12.10.2026

O consumidor quer a tecnologia que dure, não apenas lançamentos

Pesquisa global da NIQ mostra que durabilidade e reparabilidade influenciam a compra de eletrônicos, enquanto cresce o interesse por programas de troca.

Durante anos, os lançamentos frequentes ajudaram a estimular a troca de smartphones, computadores e eletrodomésticos. Esse comportamento começa a dividir espaço com uma preocupação mais prática: quanto tempo o produto vai funcionar bem e quanto custará mantê-lo.

O relatório Consumer Tech Trends 2027, publicado pela NielsenIQ (NIQ) em agosto de 2026, analisou hábitos de compra de 17 mil adultos em 17 mercados, incluindo o Brasil. Os resultados indicam que os consumidores avaliam cada vez mais a utilidade, a qualidade e a vida útil dos produtos antes de decidir pela compra ou substituição.

No levantamento global, 86% dos consumidores consideram a durabilidade importante na escolha de produtos de tecnologia ou eletrodomésticos; 82% valorizam a possibilidade de reparo e 81% levam em conta a eficiência energética. Os percentuais refletem o conjunto dos mercados pesquisados, e não exclusivamente os consumidores brasileiros.

Globalmente, 86% dos consumidores consideram a durabilidade, 82% a possibilidade de reparo e 81% a eficiência energética importantes na decisão de compra de tecnologia e eletrodomésticos. | Relatório Consumer Tech Trends 2027 — NielsenIQ (NIQ),

A decisão não termina no preço de compra

A pesquisa aponta que a busca por valor vai além de escolher o produto mais barato. Durabilidade, qualidade e confiança na marca ajudam a determinar se o preço parece justificável ao longo do tempo.

Essa lógica é especialmente relevante para aparelhos caros ou utilizados durante vários anos, como smartphones, televisores, computadores e eletrodomésticos. Um produto com custo inicial menor pode deixar de parecer vantajoso se apresentar falhas frequentes ou exigir substituição antecipada.

Para o consumidor, a mudança também envolve compreender o custo de propriedade: além do valor pago, entram na conta o consumo de energia, a manutenção, a disponibilidade de peças e a possibilidade de prolongar a vida útil.

Trocar o aparelho antigo ainda é uma oportunidade pouco explorada

Outro dado chama atenção: 64% dos consumidores globais afirmam que ter a opção de entregar o aparelho antigo como parte da compra influencia sua decisão sobre um novo produto. No entanto, apenas 25% dizem utilizar atualmente esse tipo de programa com um varejista.

Quando deixam de usar um equipamento, 37% dos entrevistados afirmam repassá-lo a familiares ou amigos, 35% recorrem à reciclagem em pontos oficiais e 34% vendem o produto usado. As opções coexistem, indicando que a destinação de eletrônicos pode ter diferentes motivações, do reaproveitamento à recuperação de parte do valor.

Programas de troca e recompra podem facilitar a transição para um novo aparelho e ajudar a direcionar equipamentos para recondicionamento ou reciclagem. O resultado, porém, depende das condições oferecidas e da confiança do consumidor no processo.

A próxima inovação pode ser prolongar a vida útil

O crescimento da preocupação com reparabilidade também cria pressão sobre fabricantes e varejistas. Informações claras sobre garantia, assistência técnica e disponibilidade de peças podem reduzir a incerteza na hora da compra.

Isso não significa que a inovação perdeu importância. O estudo da NIQ aponta que os consumidores continuam interessados em novidades, desde que percebam benefícios concretos. A diferença é que a tecnologia precisa demonstrar utilidade e qualidade, e não depender apenas da promessa de ser mais recente.

Para o consumidor, o resultado pode ser uma compra mais criteriosa e menos automática. Para a indústria, significa que a relação com o cliente pode continuar depois da venda, por meio de manutenção, reparo, recompra e destinação responsável dos aparelhos.

Gostou deste conteúdo? Compartilhe com quem precisa ver isso!

Outras Notícias Para Você

Inscreva-se em nossa newsletter e tenha acesso aos principais destaques da Revista Prospere.