Entrar em um aplicativo, confirmar uma compra ou acessar uma conta bancária ainda pode exigir uma sequência de senhas, códigos e verificações. A dificuldade de lembrar credenciais continua provocando interrupções em tarefas digitais, e a indústria de tecnologia tenta substituir esse modelo por métodos mais simples.
As passkeys, ou chaves de acesso, são uma alternativa que permite autenticar usuários por meio de credenciais criptográficas vinculadas a dispositivos e gerenciadores de credenciais. Em vez de digitar uma senha convencional, a pessoa pode confirmar o acesso com biometria, PIN ou outro método local compatível.
No relatório The State of Passkeys 2026, publicado em 7 de maio, a FIDO Alliance estimou que cinco bilhões de passkeys estavam em uso no mundo. A pesquisa com 11 mil adultos de dez países encontrou familiaridade com a tecnologia entre 90% dos consumidores, e 75% afirmaram ter ativado pelo menos uma chave de acesso em alguma conta. A amostra não incluiu o Brasil, portanto os percentuais não devem ser interpretados como estimativas do público brasileiro.

Passar da ativação ao uso como comportamento padrão é o próximo desafio. | Megan Shamas, diretora de marketing da FIDO Alliance
O feed virou porta de entrada para a informação
Os criadores de conteúdo ocupam uma posição particular nessa mudança. Eles podem traduzir temas complexos, contextualizar acontecimentos e aproximar assuntos do cotidiano. Ao mesmo tempo, a informação chega misturada a opiniões, publicidade e formatos que privilegiam atenção e engajamento.
O relatório identifica um ecossistema relevante de influenciadores no Brasil, incluindo perfis especializados em política, entretenimento e finanças. A proximidade com o público pode favorecer o interesse, mas não substitui a necessidade de conferir fontes, autoria e evidências.
Isso não significa que todos os usuários deixaram de acessar veículos jornalísticos diretamente. Muitas pessoas combinam diferentes canais durante a semana, enquanto as redes funcionam como ponto de descoberta, comentário e distribuição de notícias.

Menos etapas podem significar menos abandono
A FIDO Alliance afirma que quase metade dos consumidores pesquisados já abandonou uma compra porque não conseguia lembrar uma senha. O dado mostra que a autenticação não é apenas uma questão de segurança: ela também interfere na experiência do consumidor e na conclusão de tarefas digitais.
Uma chave de acesso utiliza um par de chaves criptográficas para confirmar a identidade sem depender de uma senha compartilhada da maneira tradicional. O desbloqueio por biometria ou PIN funciona como uma confirmação local no dispositivo, desde que o serviço e o equipamento sejam compatíveis.
A mudança também pode reduzir a exposição a ataques de phishing, nos quais criminosos tentam induzir uma pessoa a fornecer credenciais em páginas falsas. Como a autenticação é vinculada ao serviço legítimo, a passkey é projetada para resistir a esse tipo de fraude.
A adoção depende de recuperação e compatibilidade
Ativar uma chave de acesso é só uma parte do processo. Os usuários precisam conseguir utilizá-la em seus diferentes dispositivos, recuperar contas quando perdem o aparelho e entender quais alternativas existem caso um serviço ainda não aceite essa tecnologia.
A própria FIDO Alliance reconhece que a implementação não garante, por si só, uso contínuo. A experiência e a clareza do processo são fundamentais para transformar a opção em comportamento habitual.
Enquanto muitas plataformas avançam, outras ainda mantêm senhas como método principal ou exigem credenciais tradicionais como alternativa. Por isso, a transição ocorrerá gradualmente, dependendo da infraestrutura dos serviços e da confiança dos usuários.
A segurança também precisa ser simples
A substituição das senhas não elimina todos os riscos digitais. Dispositivos comprometidos, processos frágeis de recuperação de contas e golpes que exploram a confiança das pessoas continuam exigindo atenção.
Para o consumidor, vale verificar se o serviço oferece chaves de acesso, manter os dispositivos protegidos e conhecer as opções de recuperação disponíveis. Não é necessário ativar a tecnologia indiscriminadamente sem compreender como ela funciona em cada conta.
Os números globais da FIDO Alliance sugerem que a autenticação sem senha já saiu da fase experimental. O desafio agora é transformar essa disponibilidade em uma experiência confiável, compatível e fácil de usar. Se isso acontecer, entrar em uma conta poderá deixar de depender da memória de uma sequência de caracteres e passar a fazer parte de um fluxo digital mais simples.