Revista Prospere
Beber menos já não significa ficar fora da roda social
Life
13.10.2026

Beber menos já não significa ficar fora da roda social

Cervejas sem álcool ampliaram sua participação no mercado brasileiro, acompanhando mudanças nas ocasiões de consumo e na relação com as bebidas alcoólicas.

Durante muito tempo, pedir uma cerveja sem álcool foi associado a situações específicas, como dirigir depois de um encontro ou evitar a bebida por recomendação médica. Agora, o produto começa a ocupar outros espaços, acompanhando consumidores que desejam participar de momentos sociais sem necessariamente consumir álcool.

Um levantamento da Neogrid mostra que a participação das cervejas sem álcool no volume total da categoria no Brasil passou de 2,5% em 2024 para 3,9% em 2026. A presença desses produtos nos carrinhos de compra também avançou: de 4,4% para 5,6% no mesmo período.

A mudança acontece em paralelo a uma redução declarada no consumo de bebidas alcoólicas. Pesquisa Ipsos-Ipec encomendada pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), citada pela Neogrid, identificou que 64% dos adultos disseram não consumir álcool em 2025, ante 55% em 2023. Os dados indicam uma transformação de hábitos, embora não demonstrem que todas essas pessoas tenham migrado para cervejas sem álcool.

A cerveja sem álcool deixou de ocupar um espaço de nicho para ganhar enfim relevância dentro da categoria. | Marcelo Alves, gerente-executivo de Dados da Neogrid

A bebida começa a ocupar novas ocasiões

A mudança de comportamento aparece na maneira como as marcas apresentam a categoria. Em vez de destacar exclusivamente a ausência de álcool, as campanhas passaram a associar o produto a eventos esportivos, encontros entre amigos e momentos de entretenimento.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada em 8 de outubro de 2026, Juliana Aguiar, diretora-geral da Estrella Galicia, afirmou que a cerveja sem álcool passou a fazer parte de novas ocasiões ligadas ao esporte, à socialização e ao equilíbrio. A declaração mostra como a indústria tenta desvincular o produto das situações em que beber álcool é impossível ou inconveniente.

Os números da Neogrid reforçam a mudança comercial. Entre 2024 e 2026, o tíquete médio das compras de cerveja sem álcool subiu de R$ 26,41 para R$ 31,94, enquanto a quantidade média de unidades por compra avançou de 4,6 para 5,5.

O desafio está em conquistar o consumidor

O crescimento, porém, não depende apenas da divulgação. A experiência sensorial continua sendo importante para quem compara uma versão sem álcool com a bebida tradicional. Sabor, aroma, textura e variedade podem definir se a primeira compra se transformará em hábito.

Também existe uma diferença entre os rótulos. Pela legislação brasileira, uma cerveja classificada como sem álcool pode conter até 0,5% de álcool residual, enquanto produtos identificados como 0,0% possuem limite máximo de 0,05%, segundo a reportagem da Folha. Para quem precisa evitar completamente o álcool, conferir a embalagem é importante.

A diversificação da categoria mostra que o consumidor pode querer preservar o ritual social da bebida sem necessariamente manter o consumo alcoólico. Isso não significa que todos estejam abandonando a cerveja tradicional, mas que a escolha passou a incluir mais alternativas.

Para a indústria, o desafio será entregar qualidade suficiente para que o produto continue sendo escolhido depois da curiosidade inicial. Para o consumidor, a mudança amplia as possibilidades de participar de encontros e ocasiões sociais de acordo com suas preferências.

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