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O celular virou biblioteca para milhões de brasileiros
TECH
10.10.2026

O celular virou biblioteca para milhões de brasileiros

Pesquisa estima 94 milhões de leitores digitais no país e mostra como o smartphone está mudando o acesso a livros, notícias e outros conteúdos.

A leitura está deixando de depender exclusivamente de livros impressos, bibliotecas e livrarias. Para milhões de brasileiros, o celular se tornou uma forma de acessar histórias, acompanhar notícias e aproveitar períodos de espera ou deslocamento para ler.

Um levantamento da Nielsen BookData, divulgado em setembro de 2026, estima que o Brasil tem cerca de 94 milhões de leitores digitais. A pesquisa ouviu 3 mil pessoas de diferentes classes sociais e regiões do país, entre 1º e 11 de junho, considerando quem utilizou algum dispositivo eletrônico para acessar conteúdos nos 12 meses anteriores.

O smartphone é central nessa mudança: 72% dos entrevistados que leem livros digitais ou ouvem audiolivros usam o celular para isso. Entre aqueles que acessam outros tipos de texto, como notícias e materiais informativos, a preferência pelo aparelho chega a 85%. A conveniência parece ser uma das principais forças por trás desse comportamento.

A tecnologia nos permite transformar as telas digitais de inimigas em aliadas deste processo. | Rafael Lunes, presidente do Instituto para a Democratização da Leitura Digital

A leitura acompanha a rotina

A facilidade de acesso aparece como principal motivação para escolher livros digitais: 61% dos leitores de livros citaram esse benefício. Outros 48% destacaram a possibilidade de transportar vários títulos em um único aparelho.

A mobilidade muda a relação com o tempo disponível. Deslocamentos, pausas e intervalos podem se transformar em momentos de leitura, sem a necessidade de carregar um livro físico. O formato digital também oferece alternativas para quem vive longe de livrarias ou bibliotecas.

Segundo a pesquisa, 43% dos entrevistados afirmaram ler muito mais graças às oportunidades digitais. O dado sugere que o acesso eletrônico pode facilitar a continuidade do hábito, embora não permita concluir que a tecnologia, sozinha, forme leitores habituais.

A facilidade também traz desafios

A pesquisa identificou um problema relacionado à origem dos conteúdos. Entre os entrevistados, 48,8% disseram ter consumido livros ou audiolivros gratuitos obtidos em sites, aplicativos ou links não oficiais. Além disso, 46% afirmaram que nem sempre sabem se um livro digital gratuito é legal ou autorizado.

O cenário expõe uma diferença importante entre ampliar o acesso e garantir que esse acesso ocorra por meios legítimos. Plataformas oficiais, bibliotecas digitais e serviços de empréstimo podem aproximar leitores de obras protegidas por direitos autorais sem depender de cópias não autorizadas.

O desafio envolve tanto a educação digital quanto a oferta de alternativas acessíveis. Quando preço, disponibilidade e facilidade pesam na decisão, o caminho para o conteúdo legal precisa ser simples e atraente.

A próxima etapa é transformar acesso em hábito

A leitura digital amplia as possibilidades de contato com livros e textos, mas não elimina as barreiras econômicas e educacionais. O aparelho facilita o acesso; a continuidade depende também de interesse, tempo, compreensão e disponibilidade de conteúdos adequados.

Para o mercado editorial, isso abre espaço para novos modelos de distribuição, empréstimo e descoberta de autores. Redes sociais e plataformas de leitura podem funcionar como portas de entrada, desde que conduzam a experiências que respeitem leitores e criadores.

O celular não substitui necessariamente o livro impresso. Ele acrescenta outra forma de chegar até ele. A mudança mais relevante talvez esteja nessa flexibilidade: a leitura pode acompanhar a rotina sem depender de um único formato, espaço ou momento.

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