A expansão da inteligência artificial está aumentando a procura por infraestrutura capaz de processar e armazenar volumes cada vez maiores de dados. Nesse mercado, a brasileira Modular Data Centers encerrou 2025 com R$ 579 milhões em receita operacional líquida, crescimento de 60,9% em um ano. Para 2026, a empresa passou a trabalhar com a possibilidade de alcançar R$ 1 bilhão em vendas.
Fundada por Alinie Mendes e outros sócios, a companhia desenvolve e fabrica estruturas modulares que recebem servidores, sistemas elétricos, refrigeração e cabeamento. Em vez de concentrar toda a construção no terreno do cliente, transfere boa parte da montagem para a fábrica, onde os componentes são integrados e testados antes do transporte e da instalação.
O salto projetado, entretanto, não depende apenas da capacidade produtiva. Segundo Alinie, a empresa negociava projetos com mais de 100 megawatts de capacidade, e a conclusão de um deles poderia levar as vendas anuais ao patamar de R$ 1 bilhão. O valor ainda era uma meta condicionada ao fechamento de contratos, não um resultado realizado.

Se a gente vender mais um projeto este ano, a gente ultrapassa isso. | Alinie Mendes, fundadora e CEO da Modular Data Centers, sobre a meta de R$ 1 bilhão em vendas.
A construção começa antes no chão de fábrica
A industrialização permite que diferentes etapas avancem ao mesmo tempo. Enquanto o terreno recebe preparação, licenciamento e infraestrutura, a fábrica produz as estruturas que abrigarão os equipamentos. Os módulos chegam ao destino prontos para serem montados e conectados, o que permite antecipar parte do trabalho e testar componentes antes da instalação. A solução também pode ser ampliada pela combinação de blocos de capacidade.
A proposta ganha relevância diante da pressão crescente por capacidade computacional. A Agência Internacional de Energia informou que o consumo de eletricidade dos data centers aumentou 17% em 2025 e projeta que a demanda elétrica desse segmento dobre até 2030. Nos centros voltados à inteligência artificial, o consumo pode triplicar no mesmo período, segundo a análise publicada em abril de 2026.
A demanda, porém, não elimina os desafios de implantação. Projetos de grande porte precisam de fornecimento de energia, refrigeração, conectividade, equipamentos especializados e aprovações. A fabricação modular antecipa parte da construção, mas não substitui a infraestrutura necessária para manter os sistemas em funcionamento. Por isso, a execução depende da coordenação entre indústria, fornecedores, operadores e responsáveis pelo local de instalação.

O bilhão depende de contratos assinados
O tamanho dos projetos ajuda a explicar a possibilidade de uma mudança expressiva no faturamento anual. Um contrato de grande porte pode acrescentar um volume significativo de receita à operação, mas também exige capacidade para organizar pessoas, fornecedores, materiais e capital de giro no ritmo da entrega.
Essa característica torna importante separar três indicadores: receita já realizada, contratos assinados e oportunidades ainda em negociação. Eles ajudam a dimensionar o negócio de maneiras diferentes. A receita mostra o desempenho registrado; os contratos dão visibilidade à demanda contratada; e o pipeline comercial sinaliza possibilidades futuras, sem garantir que serão convertidas em vendas.
A Modular acompanha um mercado com demanda crescente por infraestrutura digital e tenta responder a ela com um modelo industrial de construção. O crescimento de 2025 demonstra a dimensão que a companhia já alcançou, mas o próximo salto dependerá de converter negociações em contratos e executar os projetos dentro das condições previstas. No caminho para o primeiro bilhão, capacidade de produção e demanda potencial precisam se transformar em entregas concretas.