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Os óculos inteligentes querem substituir o celular? A nova corrida começou
TECH
25.09.2026

Os óculos inteligentes querem substituir o celular? A nova corrida começou

Meta amplia sua aposta em dispositivos usados no rosto, enquanto empresas de tecnologia tentam transformar óculos em uma nova porta de entrada para serviços digitais

Por mais de uma década, o smartphone concentrou boa parte da vida digital. É nele que o usuário acessa mensagens, mapas, música, câmeras, pagamentos, redes sociais e assistentes digitais. Agora, as empresas de tecnologia estão tentando colocar parte dessas funções em um objeto que já faz parte do cotidiano: os óculos.

O movimento ganhou força no Meta Connect 2026, realizado nesta semana. A Meta apresentou os Ray-Ban Meta Audio, seus primeiros óculos exclusivamente de áudio, além da terceira geração dos Ray-Ban Meta e dos Meta VR Glasses. A empresa também anunciou que pretende chegar ao fim de 2026 com mais de 100 opções de óculos entre as marcas Ray-Ban, Oakley e Meta Glasses.

A estratégia vai além de criar um novo acessório. Os óculos passam a funcionar como uma interface para acessar serviços sem precisar tirar o celular do bolso. A Meta já oferece recursos como chamadas, música, tradução de conversas, informações sobre lugares e interação por voz. Com a integração do agente pessoal Muse, a empresa pretende ampliar ainda mais essa experiência.

Estamos construindo óculos com IA para todas as pessoas. | Meta, ao apresentar a nova geração de dispositivos no Connect 2026

A tecnologia quer desaparecer

O principal movimento dessa nova geração de dispositivos é justamente fazer com que a tecnologia fique menos visível. Em vez de abrir um aplicativo para consultar uma informação, o usuário pode fazer uma pergunta em voz alta. Em vez de pegar o celular para receber uma orientação, pode ter informações diretamente no campo de visão, dependendo do modelo.

Os novos Ray-Ban Meta Audio seguem uma lógica ainda mais simples. Sem câmera, eles concentram a experiência em áudio, chamadas e interação com assistentes. Segundo a Meta, o modelo pesa 43 gramas e oferece até 12 horas de uso com uma carga, além de até 48 horas adicionais com o estojo.

Já os modelos com recursos visuais avançam em outra direção. A Meta anunciou novas funções de navegação para seus óculos com display, incluindo orientações para bicicleta e transporte público, permitindo que o usuário consulte informações sem precisar olhar para a tela do telefone.

Isso abre espaço para uma mudança importante no relacionamento entre pessoas e serviços. Restaurantes, lojas, aplicativos de mobilidade, plataformas de entretenimento e empresas de atendimento podem passar a disputar espaço em uma interface que não é mais uma tela de bolso, mas um dispositivo usado durante toda a rotina.

O problema agora é a privacidade

Quanto mais os óculos se aproximam de uma câmera e de um assistente pessoal permanente, maior fica a discussão sobre privacidade. A Reuters apontou nesta semana que o avanço dos dispositivos vestíveis vem acompanhado de preocupações com gravações sem consentimento, uso indevido das câmeras e dificuldade de perceber quando alguém está sendo filmado.

A questão ajuda a explicar por que a chegada de modelos sem câmera é relevante. Os Ray-Ban Meta Audio eliminam justamente uma das funcionalidades que mais levantam dúvidas sobre o uso dos óculos em ambientes públicos. O dispositivo mantém áudio, chamadas e interação com assistente, mas não registra imagens.

Para empresas, a discussão vai além do produto. Se os óculos se tornarem uma nova plataforma digital, surgirá também uma nova disputa por desenvolvimento de aplicativos, publicidade, serviços contextuais e experiências que funcionem sem depender de uma tela.

O smartphone, portanto, não está necessariamente desaparecendo. A corrida atual aponta para outra possibilidade: ele pode deixar de ser a única interface central da vida digital. Os óculos inteligentes estão sendo testados justamente como uma camada que acompanha o usuário em vez de exigir que ele pare o que está fazendo para consultar uma tela.

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