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Bruna Vasconi encontrou uma forma de crescer o Peça Rara sem gastar para montar estoque
Life
30.09.2026

Bruna Vasconi encontrou uma forma de crescer o Peça Rara sem gastar para montar estoque

A aposta na consignação transformou a falta de capital em um modelo capaz de sustentar a expansão da rede.

Quando Bruna Vasconi decidiu abrir um brechó em Brasília, dinheiro não era exatamente o recurso que sobrava. Ela pediu R$ 7 mil emprestados à avó para montar o primeiro negócio com uma sócia. A parceria durou apenas 40 dias, mas a experiência abriu caminho para o que viria depois: o Peça Rara.

O problema era maior do que o capital inicial. Para crescer, um varejista tradicional precisa comprar estoque antes de saber exatamente quando conseguirá vendê-lo. Bruna escolheu inverter essa lógica. Em vez de comprar roupas, passou a recebê-las em consignação e a remunerar os fornecedores somente depois das vendas.

A escolha criou uma estrutura em que o negócio conseguia ampliar a variedade sem imobilizar tanto dinheiro em mercadorias. O modelo continua sendo central na operação do Peça Rara, que chegou a 130 lojas e faturou cerca de R$ 300 milhões em 2025, segundo reportagem do Seu Dinheiro.

“A consignação começou por dois motivos. O primeiro é que eu não achava justo pagar por uma sacola de roupas com um preço fechado. O segundo é que eu não tinha dinheiro para comprar um estoque. | Bruna Vasconi

O estoque deixou de ser um peso financeiro

A consignação resolveu dois problemas simultaneamente. Para quem tinha roupas paradas, criou um caminho para transformar peças sem uso em dinheiro. Para a loja, significou ter variedade e profundidade de estoque sem desembolsar antecipadamente por tudo.

Mais do que uma solução para o início da operação, o modelo virou parte da infraestrutura do negócio. Atualmente, o Peça Rara mantém a consignação como principal formato de venda e também criou alternativas como Pix e moedas próprias para atender fornecedores com diferentes preferências de recebimento.

O caso também acompanha uma transformação mais ampla no varejo. Dados citados pelo Sebrae apontam cerca de 118 mil brechós ativos no país, com movimentação de R$ 24 bilhões em 2025

Crescer começou por resolver o abastecimento

O desafio da Bruna não era apenas vender roupas usadas. Era descobrir como abastecer a operação sem comprometer o caixa. Essa decisão veio antes de pensar em escala, franquias ou expansão geográfica.

Foi esse fundamento que permitiu que o Peça Rara avançasse posteriormente para o franchising. Em 2019, a empresa começou a testar o modelo, que ganhou força após a entrada do grupo SMZTO e, posteriormente, da atriz Deborah Secco como sócia. A rede chegou a 130 unidades.

Existe uma lição empresarial importante nessa trajetória. Nem sempre o primeiro problema a ser resolvido é vender mais. Em determinados negócios, a questão anterior é descobrir como crescer sem transformar crescimento em falta de caixa..

Em modelos tradicionais, comprar estoque significa colocar dinheiro em mercadoria antes de saber exatamente quando ela será vendida. Na consignação, parte desse risco permanece com o fornecedor. O varejista ganha espaço para testar produtos e ampliar o mix sem assumir integralmente o custo de aquisição.

O Peça Rara também precisou mudar a percepção sobre brechós. Bruna conta que encontrou resistência no início e passou a investir em lojas organizadas e em uma experiência que apresentasse o produto usado como algo associado a exclusividade, consciência ambiental e curadoria.

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