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O brasileiro está pagando menos pelo café, mas escolhendo melhor
Economia
02.10.2026

O brasileiro está pagando menos pelo café, mas escolhendo melhor

Preço do café tradicional caiu 16,5% em 2026, enquanto consumo de produtos premium avançou 8,1% e revela mudança de comportamento

O café brasileiro está vivendo um movimento curioso. O preço do café em pó tradicional caiu 16,5% em 2026, impulsionado por uma combinação de oferta mais favorável e safra recorde. Ao mesmo tempo, o consumidor vem demonstrando interesse crescente por cafés premium.

Segundo dados da APAS em parceria com a Fipe, o consumo de cafés premium cresceu 8,1% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2022.

O contraste mostra que o consumidor não está simplesmente trocando um produto por outro. Ele parece estar diferenciando ocasiões: economiza no café cotidiano e aceita pagar mais quando a bebida representa experiência.

As pessoas estão tendo cada vez mais acesso a cafés especiais e percebendo que a lenda de que ‘café bom é café preto e amargo’ está ficando para trás. | João Felipe Parreiras, mestre de torras e proprietário da Solare Cafés Especiais

O preço continua mandando

Para o consumo diário, preço continua sendo um dos principais critérios de escolha. A queda do café tradicional cria espaço para manter o produto presente na rotina sem pressionar tanto o orçamento.

A ABIC registrou em 2025 consumo interno de 21,4 milhões de sacas industrializadas, com faturamento de R$ 46,24 bilhões. A bebida continua profundamente integrada à rotina brasileira. O que está mudando é a maneira como diferentes tipos de café entram nessa rotina.

O premium ganhou uma ocasião própria

Cafés especiais, blends e grãos selecionados são associados a momentos de prazer, descoberta e ritual. A preparação deixa de ser apenas funcional. Moer o grão, escolher o método e experimentar diferentes sabores transforma o café em uma experiência. Esse comportamento também cria espaço para cafeterias, torrefações, equipamentos e produtos associados ao preparo doméstico.

O consumidor está aprendendo a escolher

O caso do café revela uma tendência maior do consumo: o consumidor pode ser econômico em uma ocasião e indulgente em outra. Não é necessariamente uma contradição. É uma forma de atribuir valor diferente ao mesmo produto dependendo do momento.

Para marcas, entender essa lógica pode ser mais importante do que simplesmente disputar preço. Existe espaço para produtos acessíveis e para experiências premium, desde que cada um tenha uma razão clara para estar na vida do consumidor. O café continua sendo café. Mas o comportamento ao redor da xícara mudou. E, para o mercado, essa diferença vale bilhões.

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