O Hopi Hari destinou R$ 20 milhões à edição de 25 anos da Hora do Horror, seu principal evento temático, em uma aposta para ampliar o público e fortalecer as receitas. Realizada até 9 de novembro de 2026, a temporada tem como meta receber 500 mil visitantes. O número ainda é uma projeção, mas ajuda a dimensionar a importância econômica da iniciativa para o parque de Vinhedo, no interior de São Paulo.
O investimento é o maior já realizado na história do evento e ocorre depois de o parque sair da recuperação judicial, em outubro de 2025. Após receber cerca de 1,5 milhão de visitantes no ano passado, a empresa pretende alcançar 1,7 milhão em 2026. Para chegar a esse objetivo, precisa não apenas atrair público para a temporada de terror, mas também melhorar o movimento nos meses tradicionalmente mais fracos.
A estratégia revela um desafio comum a empresas de entretenimento e turismo: como financiar uma operação de custos elevados quando a procura varia ao longo do ano? No caso do Hopi Hari, o evento concentra investimentos em cenografia, atrações, artistas e equipes operacionais durante quase três meses. O retorno depende de quanto essa estrutura consegue gerar em ingressos, consumo interno, parcerias comerciais e visitas futuras.
É o investimento do mesmo nível de uma área temática inteira, para um evento do ano.| Fernando Fiszbein, integrante da diretoria do Hopi Hari.

A conta não termina na venda dos ingressos
A Hora do Horror funciona como uma operação temporária de grande porte. A produção envolve mais de 180 atores, cenários, figurinos, maquiagem, efeitos especiais e centenas de profissionais para manter as atrações funcionando durante a temporada. Além da bilheteria, o parque busca ampliar as receitas com alimentos, bebidas, produtos temáticos e acordos comerciais com marcas parceiras.
Esse modelo exige medir o retorno de diferentes maneiras. Um evento pode atrair muita gente e, ainda assim, ter desempenho financeiro inferior ao esperado se os custos de produção forem elevados ou o gasto médio de cada visitante ficar abaixo da projeção. Por isso, a análise precisa considerar a receita adicional gerada durante a temporada, as despesas diretamente associadas à atração e a contribuição do evento para o resultado anual.
A pesquisa Application of Revenue Management Practices to the Theme Park Industry, de Cindy Yoonjoung Heo e Seoki Lee, publicada no International Journal of Hospitality Management, destaca que parques temáticos têm potencial para aumentar receitas com práticas de gestão que consideram variações de demanda e capacidade. Em tradução livre, os autores apontam que o setor pode ampliar seus resultados ao aplicar diferentes técnicas de gestão de receita.

O retorno precisa continuar depois de novembro
Para o Hopi Hari, uma das principais medidas de sucesso será conseguir manter o público depois do encerramento da Hora do Horror. A empresa pretende aproveitar o interesse despertado pela temporada para fortalecer outras atrações e ampliar o Natal Mágiko, criando novas razões para visitar o parque no fim do ano.
Essa estratégia pode melhorar a utilização da estrutura existente e reduzir a dependência de períodos específicos. No entanto, o resultado dependerá da capacidade de gerar novas visitas sem repetir, a cada temporada, investimentos que só se paguem por algumas semanas. Acompanhar a origem dos visitantes, a frequência de retorno e o gasto médio por pessoa será essencial para avaliar se o evento fortalece o negócio como um todo.
A iniciativa representa uma aposta relevante na retomada do parque, mas seu impacto financeiro só poderá ser medido com os resultados efetivos da temporada. Atrair 500 mil visitantes é uma meta comercial; transformar esse público em margem, caixa e recorrência é o verdadeiro teste econômico do investimento.