Quando se fala em bem-estar, a imagem mais comum costuma envolver exercícios físicos, alimentação equilibrada e sono adequado. Mas atividades como ouvir música, ler, dançar e participar de eventos culturais também aparecem na rotina de pessoas que procuram melhorar a saúde emocional.
A sexta edição da pesquisa Hábitos Culturais, da Fundação Itaú, realizada pelo Observatório Fundação Itaú com apoio técnico do Datafolha, ouviu 2.432 pessoas entre 16 e 65 anos. O levantamento indica que 33% dos entrevistados recorrem a práticas culturais para melhorar a saúde emocional, enquanto 66% mencionam alguma atividade física.
O estudo identificou ainda que 32% dos participantes disseram ter frequentado eventos culturais presenciais com o objetivo de cuidar da saúde e do bem-estar em 2025, ante 25% em 2024. A tendência mostra que a cultura pode estar ganhando espaço não apenas como entretenimento, mas também como parte da maneira de organizar o tempo livre.
Ao avaliar os impactos das atividades culturais sobre o bem-estar, 84% afirmam que as práticas artísticas ajudam a reduzir o estresse e a ansiedade. | Pesquisa Hábitos Culturais, 6ª edição — Observatório Fundação Itaú, com apoio técnico do Datafolha,

A cultura ganha espaço na rotina de cuidado
O levantamento considera práticas variadas, desde assistir à televisão e ouvir música até ler livros e dançar. Essa diversidade ajuda a explicar por que a cultura pode ser incorporada à rotina sem exigir necessariamente grandes gastos ou mudanças radicais de comportamento.
Entre os participantes, 44% apontaram o relaxamento e a redução do estresse como motivação para frequentar atividades culturais presencialmente. O percentual foi maior entre as mulheres, chegando a 48%, contra 38% entre os homens.
Os números sugerem que a escolha de atividades para o tempo livre também está relacionada ao desejo de aliviar tensões e criar momentos de pausa. A cultura aparece, assim, como uma possibilidade complementar às demais práticas de bem-estar.

Participar também significa sair de casa
Embora o consumo cultural remoto continue relevante, a pesquisa aponta que as atividades presenciais passaram a ser procuradas com mais frequência por quem deseja melhorar a qualidade de vida. Ir a um show, visitar uma exposição ou participar de uma atividade artística pode combinar lazer, mudança de ambiente e contato social.
O levantamento também identificou que 81% dos entrevistados reconhecem benefícios das práticas culturais nos relacionamentos familiares e na redução da sensação de solidão. Trata-se da percepção dos participantes, não de uma comprovação de que frequentar eventos culturais, por si só, produza esses efeitos em todas as pessoas.
Essa distinção importa porque o acesso às atividades varia conforme renda, localização, disponibilidade de tempo e oferta cultural. A possibilidade de participar depende também de existirem opções acessíveis perto de casa.
O lazer não precisa virar outra obrigação
Transformar atividades culturais em ferramentas de bem-estar não significa estabelecer uma nova lista de tarefas para cumprir. A experiência deve continuar ligada ao interesse pessoal, ao prazer e à liberdade de escolher o que faz sentido para cada momento.
Música, leitura e atividades artísticas podem ser incorporadas de diferentes maneiras, de acordo com as preferências e condições de cada pessoa. Para algumas, isso significa participar de eventos; para outras, reservar alguns minutos para ler ou ouvir uma playlist.
Os dados da Fundação Itaú mostram que o cuidado emocional não precisa ser pensado apenas por meio de práticas formalmente associadas à saúde. A cultura também ocupa esse espaço, desde que seja acessível e escolhida de maneira compatível com a rotina.