Revista Prospere
PrEP injetável pode mudar a rotina de prevenção do HIV
Saúde
11.10.2026

PrEP injetável pode mudar a rotina de prevenção do HIV

Cabotegravir aplicado a cada dois meses amplia as possibilidades de prevenção, mas sua incorporação ao SUS ainda estava em análise em outubro de 2026.

A prevenção do HIV está incorporando novas alternativas para pessoas que enfrentam dificuldades para manter o uso diário de medicamentos. Uma delas é a profilaxia pré-exposição injetável, conhecida como PrEP injetável, que utiliza o cabotegravir para reduzir o risco de infecção pelo vírus.

O medicamento recebeu aprovação da Anvisa em 2023 e pode ser administrado por via intramuscular. O esquema prevê duas aplicações iniciais com intervalo de um mês, seguidas por doses a cada dois meses. A proposta é oferecer uma alternativa à PrEP oral diária já disponível no Sistema Único de Saúde.

Em 3 de outubro de 2026, a Folha de S.Paulo informou que a incorporação da nova tecnologia ainda estava em análise pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). O Ministério da Saúde avaliava a possibilidade de oferecer o medicamento inicialmente a grupos com dificuldades para manter o uso diário, sem confirmação de uma data de disponibilização nacional.

Quanto mais opções a gente oferece, maior a chance de se encaixar na vida das pessoas. | Vinicius Borges, médico infectologista

A prevenção precisa caber na rotina

A PrEP oral exige que a pessoa mantenha uma rotina de uso conforme a prescrição e o acompanhamento profissional. Para quem tem dificuldade de lembrar os comprimidos, enfrenta obstáculos de adesão ou prefere não manter o medicamento em casa por receio de estigma, uma opção de longa duração pode facilitar a continuidade da prevenção.

Essa mudança não representa apenas uma inovação farmacológica. Ela permite adaptar a estratégia de prevenção às circunstâncias e preferências individuais, desde que o método seja indicado e acompanhado adequadamente.

Segundo o Ministério da Saúde, desde a incorporação da PrEP oral ao SUS, 356 mil pessoas já haviam iniciado o uso da profilaxia no Brasil, dado divulgado em julho de 2026. A oferta de alternativas pode ampliar as possibilidades de cuidado, mas depende de avaliação clínica, testagem e acesso regular aos serviços.

A chegada ao SUS depende de decisões e estrutura

A consulta pública da Conitec sobre o cabotegravir ocorreu entre 10 e 31 de agosto de 2026. O processo de avaliação considera evidências de eficácia e segurança, aspectos econômicos e condições de implementação no sistema público.

Mesmo que a incorporação seja aprovada, disponibilizar o medicamento exige organização. É necessário definir critérios de elegibilidade e prioridade, preparar os serviços, capacitar profissionais e garantir o acompanhamento das pessoas que receberão as aplicações.

Por isso, a existência de uma nova tecnologia não significa que todas as pessoas interessadas terão acesso imediato. A abrangência geográfica, a quantidade disponível e as regras de atendimento dependem das decisões finais e do planejamento de implementação.

A injeção faz parte da prevenção combinada

A PrEP é indicada para pessoas que não vivem com HIV e podem estar expostas a maior risco de infecção. Antes do início do método, é necessário confirmar o status sorológico e manter o acompanhamento definido pelos profissionais de saúde.

A prevenção combinada também inclui preservativos, testagem, profilaxia pós-exposição (PEP) quando indicada e outras estratégias disponíveis no SUS. A PrEP protege contra o HIV, mas não substitui medidas de prevenção de outras infecções sexualmente transmissíveis.

A mudança mais importante, portanto, pode estar na ampliação das opções. Quando a prevenção considera as necessidades e a rotina de cada pessoa, aumenta a possibilidade de encontrar uma estratégia viável e mantê-la ao longo do tempo.

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