O Dia das Crianças chega ao varejo com uma combinação que resume bem o comportamento do consumidor brasileiro em 2026: vontade de comprar, preocupação com preços e dificuldade de manter o orçamento completamente distante da emoção.
Pesquisa da CNDL e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise, mostra que 74% dos consumidores das capitais brasileiras pretendem comprar presentes para a data. A expectativa é movimentar R$ 18,11 bilhões na economia, alta de R$ 1,4 bilhão em relação a 2025.
O problema aparece quando o desejo de presentear encontra uma realidade financeira mais apertada. Cerca de 22% dos entrevistados admitem que devem gastar mais do que podem. Entre eles, 31% dizem fazer questão de agradar a criança mesmo que isso gere dívidas, enquanto 24% associam o valor do presente a uma prova de amor.
O apelo afetivo de presentear quem amamos é legítimo e compreensível, mas ele jamais deve comprometer a saúde financeira da família. | Pesquisa CNDL/SPC Brasil sobre o Dia das Crianças 2026, divulgada em 6 de outubro de 2026.

Quando o afeto entra na conta
A pesquisa mostra que a compra não acontece apenas por necessidade ou preço. Para 32% dos consumidores, a principal motivação é ver a criança feliz. O hábito de presentear quem gostam aparece em 22%, enquanto 18% apontam a importância do gesto.
Esse componente emocional ajuda a explicar por que algumas pessoas aceitam ultrapassar o orçamento. A compra deixa de ser apenas uma transação e passa a carregar um significado simbólico. O presente representa carinho, cuidado e, em alguns casos, a sensação de corresponder a uma expectativa.
Ao mesmo tempo, 73% dos consumidores pretendem comparar preços antes de fechar a compra. O consumidor, portanto, não abandonou a racionalidade. Ele está tentando conciliar emoção e economia.

A tecnologia virou ferramenta para economizar
A comparação de preços acontece cada vez mais antes da chegada à loja. Segundo a pesquisa, 84% das consultas de preço ocorrem no ambiente virtual, com marketplaces e Google entre os principais recursos utilizados.
Os canais digitais também já fazem parte da própria compra. Embora as lojas físicas concentrem 70% das vendas, 50% dos consumidores pretendem comprar pela internet, e os aplicativos aparecem como o principal canal entre os compradores online.
O movimento mostra um consumidor híbrido: pesquisa digitalmente, compara condições, visita lojas quando necessário e decide considerando preço, qualidade e desejo da criança.
O varejo ganha vendas. As famílias ganham uma conta para administrar
A pesquisa estima tíquete médio de R$ 308 e uma média de 2,3 presentes por consumidor. O Pix lidera os pagamentos à vista, escolhido por 58% dos entrevistados.
Mas o quadro financeiro exige atenção. Entre aqueles que pretendem comprar, 35% estão inadimplentes e, desse grupo, 79% possuem o nome negativado. Ainda assim, 83% dizem que não pretendem deixar contas básicas em aberto para financiar os presentes.
O Dia das Crianças funciona, assim, como um pequeno retrato do consumo brasileiro: há disposição para gastar, mas também necessidade de comparar, planejar e escolher. Para as famílias, o desafio é impedir que a emoção de presentear se transforme em uma despesa que continue sendo sentida muito depois de 12 de outubro.