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Depois dos 60, ainda é possível doar órgãos. O que a medicina avalia
Saúde
28.09.2026

Depois dos 60, ainda é possível doar órgãos. O que a medicina avalia

Setembro Verde chama atenção para uma possibilidade pouco conhecida: idade, isoladamente, não impede a doação de órgãos em vida

Quando o assunto é doação de órgãos, a idade costuma aparecer como uma das primeiras dúvidas. Mas, no caso de doadores vivos, ter mais de 60 anos não significa estar automaticamente impedido de doar. A decisão depende de uma avaliação médica individualizada sobre as condições de saúde e os riscos do procedimento.

O tema ganhou destaque durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos. Segundo o Ministério da Saúde, uma pessoa viva pode doar um rim, parte do fígado, parte da medula ou parte dos pulmões, desde que cumpra os critérios médicos e legais estabelecidos.

Em 2023, Arivaldo Sampaio, então com 69 anos, tornou-se doador de um rim para o próprio filho depois que ele perdeu a função do único rim. O caso foi acompanhado pelo Hospital Universitário de Brasília e exemplifica uma possibilidade prevista no sistema brasileiro.

É uma avaliação completa do doador. | Geraldo Freitas, médico nefrologista da Unidade de Transplantes do Hospital Universitário de Brasília, sobre os critérios para doação em vida.

O que muda depois dos 60

O Ministério da Saúde esclarece que a idade, por si só, não é uma limitação para a doação em vida. O que muda é o nível de atenção necessário na avaliação, porque doenças como hipertensão, diabetes e alterações cardiovasculares ou renais se tornam mais frequentes com o envelhecimento.

Em pessoas acima dos 60 anos, a investigação pode incluir exames de sangue e urina, avaliação da função renal, exames de imagem e análise cardiovascular. O objetivo é determinar se a retirada de um órgão representa um risco aceitável para o doador.

No caso da doação de um rim, por exemplo, os médicos precisam avaliar se a pessoa tem condições de permanecer saudável com um único órgão. A análise também considera expectativa de vida, doenças preexistentes e o estado do órgão que será transplantado.

A decisão, portanto, não é tomada apenas a partir de uma idade de corte. Ela envolve uma avaliação individual que busca equilibrar a segurança de quem doa e a perspectiva de funcionamento do órgão para quem recebe.

O Brasil ainda tem milhares de pessoas esperando

A discussão acontece em um cenário de demanda elevada por transplantes. Em 2025, o Brasil registrou 4.335 doadores efetivos, taxa de 20,3 doadores por milhão de habitantes e o maior número já registrado no país. Ainda assim, 49,4 mil pessoas aguardavam na fila de transplantes, segundo dados do Sistema Nacional de Transplantes citados pelo Ministério da Saúde.

A doação em vida possui regras específicas. A legislação brasileira permite a doação entre parentes de até quarto grau e cônjuges sem necessidade de autorização judicial. Para pessoas sem esse grau de parentesco, a doação pode ocorrer, mas depende de autorização judicial.

É importante também separar a doação em vida da doação após a morte. Os critérios médicos, legais e os procedimentos são diferentes, assim como os órgãos que podem ser destinados ao transplante.

O avanço da medicina e a maior expectativa de vida tornam essa discussão ainda mais relevante. Pessoas mais velhas que permanecem saudáveis podem continuar participando do processo, mas isso não significa que devam presumir que estão aptas a doar.

A decisão precisa passar por uma equipe especializada, que avalia o histórico clínico, os exames e os riscos envolvidos. Mais do que a idade registrada no documento, é a condição individual de saúde que determina a possibilidade de doação em vida.

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