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Busca por crédito cresce 11,2% e muda estratégia das empresas brasileiras
Economia
01.10.2026

Busca por crédito cresce 11,2% e muda estratégia das empresas brasileiras

Demanda das empresas por financiamento cresceu 11,2% em 12 meses, com micro e pequenas empresas entre as que mais ampliaram a procura

As empresas brasileiras estão recorrendo mais ao crédito. A demanda empresarial por financiamento cresceu 11,2% no acumulado de 12 meses até agosto de 2026, segundo levantamento da Serasa Experian. O movimento ocorre em um ambiente que ainda combina custo elevado do dinheiro e necessidade de gestão mais cuidadosa do caixa.

O avanço não está concentrado em grandes companhias. Entre as micro e pequenas empresas, a procura por crédito aumentou 11,4% no período. O setor de serviços apresentou uma expansão ainda maior, de 17%, seguido pela agropecuária, com alta de 16,2%.

Mais do que apontar simplesmente que as empresas estão tomando dinheiro emprestado, o indicador revela uma mudança de comportamento. Em um cenário de custos financeiros elevados e atividade econômica menos acelerada, buscar crédito pode significar desde financiar uma expansão até reforçar o capital de giro ou atravessar um período de maior pressão sobre o caixa.

A demanda por crédito das empresas cresceu em um cenário de juros ainda elevados e economia mais moderada. | Serasa Experian

Crédito deixou de ser apenas ferramenta de expansão

Durante muito tempo, a associação mais imediata entre crédito empresarial e crescimento era simples: a empresa toma dinheiro para investir, comprar máquinas, abrir uma unidade ou aumentar sua capacidade produtiva.

Na prática, o crédito também pode cumprir uma função menos visível. Ele ajuda a equilibrar períodos em que pagamentos chegam depois das despesas, financiar estoques e manter operações enquanto o fluxo de caixa não acompanha o ritmo dos compromissos.

O crescimento da procura, portanto, não permite concluir sozinho que as empresas estejam investindo mais. O dado mostra que elas estão buscando mais recursos, mas a finalidade desse dinheiro depende do porte, setor e situação financeira de cada negócio.

Pequenas empresas sentem a pressão de outra maneira

O avanço de 11,4% na demanda das micro e pequenas empresas chama atenção porque esses negócios costumam ter menos margem para absorver oscilações de caixa. Uma diferença de alguns dias entre receber de clientes e pagar fornecedores pode alterar significativamente a necessidade de financiamento.

Nos serviços, onde a procura cresceu 17%, o movimento também ganha relevância. Empresas desse segmento trabalham frequentemente com despesas recorrentes, folha de pagamento e contratos cuja receita pode não acompanhar imediatamente os custos.

Isso ajuda a explicar por que o crédito pode aparecer tanto em momentos de oportunidade quanto de necessidade. A mesma ferramenta utilizada para financiar uma expansão pode ser usada para preservar o funcionamento de uma empresa.

A pergunta não é apenas quanto pedir

O resultado de setembro representa uma mudança de direção depois de duas quedas consecutivas do IGP-M: o indicador havia recuado 1,16% em julho e 0,22% em agosto. Em 12 meses, entretanto, o índice ainda está em 3,34%, abaixo dos 4,09% registrados pelo componente de habitação do IPC e dos 6,61% acumulados pelo INCC.

Por isso, o resultado não deve ser interpretado isoladamente como uma nova tendência de inflação. O que ele revela é uma mudança relevante na formação dos preços durante setembro, com pressões simultâneas no produtor e no consumidor. É justamente essa composição que o economista Matheus Dias destacou na análise do FGV IBRE.

Para empresas, a melhor leitura passa menos por tentar antecipar um único número e mais por acompanhar aquilo que realmente impacta sua operação. Contratos, fornecedores, aluguel, serviços, matérias-primas e margem de lucro contam uma história muito mais específica do que qualquer indicador sozinho. E, quando o ambiente muda, conhecer essa história antes de fechar o próximo orçamento pode fazer uma diferença considerável.

A pergunta não é apenas quanto pedir

O crescimento da demanda também coloca uma questão importante para os empresários: crédito resolve um problema ou apenas adia sua solução?

A resposta depende da finalidade. Financiar uma máquina que aumenta produtividade é diferente de recorrer a empréstimos sucessivos para cobrir despesas recorrentes. Em ambos os casos existe crédito, mas o impacto sobre o negócio pode ser completamente diferente.

Por isso, a decisão passa cada vez mais pela qualidade da gestão financeira. Antes de buscar recursos, empresas precisam avaliar prazo, custo efetivo, capacidade de pagamento e retorno esperado da operação. Em um ambiente de juros elevados, uma escolha aparentemente pequena pode alterar significativamente a margem de um negócio.

O dinheiro precisa ter destino

O crescimento da procura por crédito mostra que as empresas continuam encontrando maneiras de financiar suas operações, mas também revela que o caixa ganhou importância estratégica.

Para micro e pequenos negócios, especialmente, a diferença entre crédito utilizado para gerar capacidade futura e crédito usado apenas para apagar incêndios pode determinar a saúde financeira dos próximos meses.

O movimento registrado pela Serasa não conta sozinho qual dessas situações predomina. Ele mostra, porém, que o crédito voltou a ocupar espaço relevante nas decisões empresariais. E talvez a pergunta mais importante para quem está do outro lado da mesa não seja simplesmente “quanto o banco pode liberar?”, mas “o que esse dinheiro precisa produzir depois que entrar na empresa?”

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