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Cansaço constante pode esconder uma doença pouco conhecida
Saúde
08.10.2026

Cansaço constante pode esconder uma doença pouco conhecida

Pesquisa da Ipsos mostra que 62% dos entrevistados nunca ouviram falar em hipertensão pulmonar tromboembólica crônica, condição que pode comprometer a circulação pulmonar.

Sentir falta de ar ao subir escadas ou perceber um cansaço persistente costuma ser associado à falta de condicionamento físico, ao ganho de peso ou ao envelhecimento. Em alguns casos, porém, esses sinais podem estar relacionados a problemas de saúde que exigem investigação médica.

Um levantamento da Ipsos, encomendado pela Bayer e divulgado em setembro de 2026, revelou que 62% dos entrevistados nunca tinham ouvido falar em hipertensão pulmonar tromboembólica crônica (HPTEC). A pesquisa ouviu mil pessoas das classes A, B e C, por meio de entrevistas online realizadas entre outubro e novembro de 2025.

Mesmo entre os 38% que afirmaram conhecer a doença, 81% disseram ter conhecimento básico ou nenhum conhecimento sobre ela. A falta de familiaridade é relevante porque os sintomas iniciais podem ser confundidos com manifestações de outras condições, dificultando o reconhecimento de que algo precisa ser investigado.

Descobrir a doença logo no início e ter acesso ao tratamento adequado é a única forma de evitar esse desgaste irreversível. | Dr. Rodrigo Lima, médico pneumologista — declaração publicada pela Ipsos na matéria sobre conscientização da HPTEC

Quando os sintomas parecem fazer parte da rotina

A HPTEC ocorre quando coágulos que obstruem os vasos pulmonares não são completamente dissolvidos e evoluem para tecidos que dificultam a circulação do sangue. Com o tempo, essa resistência sobrecarrega o lado direito do coração e pode comprometer a capacidade física.

Na pesquisa, 62% identificaram a falta de ar durante esforços físicos como possível sintoma da doença, enquanto 55% reconheceram o cansaço persistente. O levantamento também encontrou confusão entre a HPTEC e a hipertensão arterial comum, duas condições diferentes.

O resultado reforça uma dificuldade de saúde pública: sintomas graduais podem ser normalizados até começarem a interferir de maneira mais intensa no trabalho, na mobilidade e nas atividades cotidianas.

Reconhecer os sinais não significa fazer um autodiagnóstico

Falta de ar e fadiga têm diversas causas, e a presença desses sintomas não significa necessariamente que uma pessoa tenha HPTEC. A avaliação médica é necessária para investigar a origem do problema e definir os exames adequados.

O histórico de trombose ou embolia pulmonar merece atenção nessa avaliação. Segundo as informações reunidas na publicação da Ipsos, aproximadamente 4% dos pacientes que sofrem embolia pulmonar desenvolvem HPTEC em até dois anos.

A informação também precisa distinguir condições de nomes semelhantes. A hipertensão arterial sistêmica, popularmente conhecida como pressão alta, não é a mesma doença que a hipertensão pulmonar tromboembólica crônica. Confundi-las pode levar a interpretações equivocadas sobre sintomas e acompanhamento.

Informação também faz parte do cuidado

Os resultados mostram que ampliar o conhecimento sobre doenças raras e pouco conhecidas continua sendo um desafio. Uma campanha de conscientização precisa ajudar a população a reconhecer sinais de alerta sem estimular conclusões precipitadas ou medo desnecessário.

Para quem convive com cansaço progressivo ou falta de ar sem explicação clara, o caminho mais seguro é procurar avaliação profissional, especialmente quando há histórico de trombose ou embolia pulmonar.

A pesquisa não demonstra, por si só, que o desconhecimento seja a causa de todos os atrasos diagnósticos. Ela indica, contudo, uma lacuna importante de informação sobre a HPTEC. Em saúde, reconhecer que um sintoma merece investigação pode ser o primeiro passo para chegar ao diagnóstico adequado.

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