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Parar de fumar também pode beneficiar o cérebro
Saúde
09.10.2026

Parar de fumar também pode beneficiar o cérebro

Estudo com 32.802 adultos encontrou associação entre o abandono do cigarro e um risco 16% menor de demência, com ressalvas sobre peso e causalidade.

Parar de fumar produz benefícios conhecidos para a saúde cardiovascular e respiratória. Uma pesquisa publicada em 2026 acrescentou outro aspecto a essa discussão: a relação entre abandonar o cigarro, preservar a capacidade cognitiva e reduzir o risco de demência durante o envelhecimento.

O estudo, publicado na revista científica Neurology em maio de 2026, acompanhou 32.802 adultos dos Estados Unidos que não apresentavam demência no início da pesquisa. Ao longo de até 25 anos, os pesquisadores registraram 5.868 casos da condição e observaram que pessoas que deixaram de fumar durante o acompanhamento apresentaram risco 16% menor de demência em comparação com aquelas que continuaram fumando.

Os resultados não provam que a interrupção do tabagismo, isoladamente, tenha causado a redução observada. Ainda assim, acrescentam evidências sobre a importância de controlar fatores de risco que podem influenciar a saúde cerebral ao longo da vida.

O cigarro provoca lesão e disfunção vascular, aumentando o risco de acidente vascular cerebral. E sabemos que o AVC pode levar à demência. | Jerusa Smid, neurologista do Einstein Hospital Israelita

O impacto do cigarro vai além dos pulmões

O tabagismo afeta os vasos sanguíneos e pode contribuir para alterações na circulação cerebral. Esse processo ajuda a explicar a relação entre fumar, sofrer acidentes vasculares cerebrais e desenvolver problemas cognitivos ao longo do tempo.

Na pesquisa, os participantes tiveram o hábito de fumar e as mudanças de peso avaliados periodicamente. Além da incidência de demência, os cientistas acompanharam a evolução do desempenho cognitivo, identificando um declínio mais lento entre pessoas que abandonaram o cigarro.

Outro achado foi que a associação com menor risco de demência se mostrou mais consistente entre ex-fumantes que tiveram ganho de peso nulo ou moderado depois de parar. Esse resultado não significa que o ganho de peso anule todos os benefícios de abandonar o tabagismo.

Prevenção exige uma visão integrada

Os pesquisadores observaram que o risco de demência diminuía progressivamente quanto maior era o tempo desde o abandono do cigarro. Por volta de sete anos de abstinência, a associação se aproximava daquela observada entre pessoas que nunca fumaram.

O envelhecimento cerebral, porém, depende de diversos fatores. Hipertensão, diabetes, sedentarismo, colesterol elevado e consumo excessivo de álcool também estão entre os aspectos associados ao risco de demência. Por isso, a cessação do tabagismo deve ser compreendida como parte de uma estratégia mais ampla de saúde.

Os dados também não justificam adiar a decisão de parar de fumar por receio de ganhar peso. A mudança pode ser acompanhada por profissionais de saúde para apoiar o controle do peso, a atividade física e o acompanhamento de condições crônicas.

O cuidado pode começar em qualquer idade

A pesquisa amplia a compreensão dos benefícios associados à interrupção do tabagismo. Além de reduzir riscos cardiovasculares e respiratórios, abandonar o cigarro pode estar relacionado a uma trajetória cognitiva mais favorável no longo prazo.

É importante lembrar que se trata de um estudo observacional realizado nos Estados Unidos, cujos resultados não determinam individualmente o risco de cada pessoa nem demonstram causalidade direta.

Mesmo com essa ressalva, a mensagem para a saúde pública permanece relevante: decisões tomadas durante a vida adulta podem influenciar a saúde no envelhecimento. Parar de fumar é uma medida importante em qualquer idade, e o acompanhamento profissional pode ajudar a tornar essa mudança mais sustentável.

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