Revista Prospere
Guardar dinheiro ainda é um hábito para poucos
Economia
04.10.2026

Guardar dinheiro ainda é um hábito para poucos

Só 52% dos trabalhadores brasileiros dizem poupar para o futuro, e diferença chega a 72 pontos percentuais entre os perfis financeiros

Poupar parece uma atitude simples, mas está longe de fazer parte da realidade de todos os trabalhadores brasileiros. Uma nova pesquisa da Serasa Experian mostra que pouco mais da metade consegue guardar algum dinheiro pensando no futuro.

O levantamento Bem-Estar Financeiro dos Trabalhadores 2026 aponta que 52% dos trabalhadores afirmam guardar dinheiro para o futuro. O número, porém, esconde uma diferença muito maior entre grupos com condições financeiras distintas.

Entre os trabalhadores classificados como mais pressionados financeiramente, apenas 13% conseguem poupar regularmente. No extremo oposto, entre os chamados “Consolidados”, o percentual chega a 85%. São 72 pontos percentuais de diferença, mostrando que a capacidade de guardar dinheiro não depende apenas de disposição para economizar.

Pouco mais da metade dos trabalhadores brasileiros (52%) afirma guardar algum dinheiro pensando no futuro. | Pesquisa Bem-Estar Financeiro dos Trabalhadores 2026 — Serasa Experian

A média esconde uma desigualdade financeira

O percentual de 52% pode sugerir que o hábito de poupar já esteja relativamente disseminado. Quando o dado é dividido pelos diferentes perfis financeiros identificados pela Serasa, a realidade muda.

Entre os “Apertados”, apenas 13% guardam dinheiro regularmente. No grupo “Vivem o Agora”, esse índice sobe para 31%. Entre aqueles que estão “Organizando o Futuro”, chega a 55%, enquanto os “Consolidados” alcançam 85%.

A diferença mostra que poupar não é simplesmente uma questão de comportamento individual. A margem existente depois do pagamento das despesas também determina quanto espaço sobra para pensar no futuro.

Planejamento pesa tanto quanto renda

A pesquisa foi estruturada justamente para ir além do salário e analisar como os trabalhadores administram dinheiro, consumo, crédito e planejamento financeiro. O resultado mostra que dois profissionais com rendas semelhantes podem apresentar comportamentos completamente diferentes diante do orçamento.

O contraste aparece também na organização financeira. Apenas 21% dos trabalhadores classificados como “Apertados” afirmam ter planejamento organizado e saber quanto podem gastar. Entre os “Consolidados”, esse percentual chega a 87%.

Isso ajuda a explicar por que a capacidade de poupar não acompanha necessariamente uma simples divisão entre quem ganha mais e quem ganha menos. Planejamento, estabilidade e pressão financeira também interferem na possibilidade de construir uma reserva.

O futuro começa no espaço que sobra

Construir uma reserva financeira continua sendo uma das formas mais diretas de criar proteção contra imprevistos. Mas os dados da Serasa mostram que esse movimento ainda está concentrado nos grupos que já possuem maior estabilidade.

O levantamento ouviu 1.008 trabalhadores dos setores público e privado, além de profissionais PJ, entre 12 e 30 de junho de 2026. A pesquisa teve margem de erro de 3,1 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%.

Mais do que mostrar quantas pessoas conseguem guardar dinheiro, o estudo expõe a distância entre diferentes realidades financeiras. Para uma parcela dos trabalhadores, poupar é uma decisão planejada. Para outra, continua sendo algo que só acontece quando o orçamento permite. E essa diferença ajuda a explicar por que o futuro financeiro ainda começa de pontos de partida tão desiguais.

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