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Rock in Rio nasceu com público recorde, mas deixou uma conta que demorou anos para ser paga
Life
06.10.2026

Rock in Rio nasceu com público recorde, mas deixou uma conta que demorou anos para ser paga

Roberto Medina enfrentou 70 recusas para montar o festival, lotou a Cidade do Rock e descobriu que sucesso de público não garante sustentabilidade financeira.

Antes de se tornar uma das marcas mais conhecidas do entretenimento brasileiro, o Rock in Rio precisou convencer artistas, empresários e patrocinadores de que um megafestival daquele tamanho poderia existir no Brasil. Segundo relatos da época, Roberto Medina chegou a ouvir cerca de 70 “nãos” de bandas e agentes internacionais.

A saída veio de uma relação construída anos antes com Frank Sinatra. Depois de promover o histórico show do cantor no Maracanã, em 1980, Medina recorreu à credibilidade conquistada para abrir portas junto aos empresários internacionais. Segundo a Exame, Sinatra ajudou a apresentar Medina como um empresário confiável, e artistas que antes recusavam o projeto começaram a reconsiderá-lo.

O resultado foi uma estreia gigantesca. O primeiro Rock in Rio, realizado em 1985, reuniu cerca de 1,3 milhão de pessoas. A dimensão do público, porém, não significou lucro imediato. A própria família Medina relata que a primeira edição deixou uma dívida que levou anos para ser quitada.

Depois disso, eu pude até escolher as atrações, pois todos que tinham dito ‘não’ vieram me procurar. | Roberto Medina

O valor de uma oportunidade não aparece só no público

A história do Rock in Rio mostra a diferença entre validar uma ideia e construir um negócio sustentável. O festival conseguiu algo que muitos empreendedores perseguem: demanda. O público compareceu em escala extraordinária e provou que existia mercado para um evento desse porte no Brasil. O problema estava na equação financeira.

Medina já reconheceu que o primeiro festival tinha um modelo que dependia de mais de uma edição para fazer sentido economicamente. Uma reportagem da revista Piauí registra que o plano previa festivais em 1985 e 1987, mas a segunda edição não ocorreu no formato originalmente planejado.

Esse ponto é relevante porque crescimento e rentabilidade não são sinônimos. O próprio Michael Porter, da Harvard Business School, resume uma das bases da estratégia empresarial: “O crescimento da receita só é positivo quando a empresa consegue alcançar e sustentar um retorno sobre o capital investido superior.”

Quando a ideia é grande demais para caber apenas no entusiasmo

O Rock in Rio também revela outro componente decisivo dos negócios: relacionamento. A conexão de Medina com Sinatra não substituiu a operação, mas ajudou a resolver uma barreira que dinheiro sozinho não resolveria naquele momento: a falta de confiança dos grandes artistas e agentes internacionais.

Depois da estreia, o festival evoluiu justamente por transformar a experiência em uma plataforma de negócios. Patrocínios, licenciamento, direitos de transmissão, produtos e novas experiências ampliaram o valor econômico da marca. Décadas depois, Medina passou a tratar educação e entretenimento como novas frentes derivadas do mesmo ecossistema.

A lição para quem empreende é menos romântica e mais útil: uma multidão pode provar que existe desejo. Um grande contato pode abrir uma porta. Mas, no fim, é preciso saber quanto custa atravessá-la.

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