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Sarampo volta ao radar: por que os novos casos acendem um alerta sobre vacinação
Saúde
26.09.2026

Sarampo volta ao radar: por que os novos casos acendem um alerta sobre vacinação

Brasil confirmou 42 casos de sarampo até a semana epidemiológica 38, mas continua sem transmissão sustentada da doença; vacinação permanece como principal barreira contra novos surtos

O Brasil confirmou 42 casos de sarampo em 2026 até a semana epidemiológica 38, segundo a atualização mais recente do Ministério da Saúde. A maior concentração está em São Paulo, com 36 registros, enquanto o Amazonas soma cinco e o Rio de Janeiro, um. Apesar do aumento, o país mantém a certificação de eliminação da circulação endêmica do vírus.

O dado exige uma distinção importante. A presença de casos isolados, importados ou relacionados à importação não significa que o sarampo tenha voltado a circular de forma sustentada no país. O próprio Ministério da Saúde afirma que o Brasil continua livre da transmissão endêmica, mas que os registros reforçam a necessidade de manter altas coberturas vacinais.

O cenário também ocorre em meio a surtos em outros países das Américas. Em setembro, o Ministério intensificou a vigilância no Amazonas depois da confirmação de casos importados em Tabatinga, região de tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.

A vacinação é a principal forma de evitar a reintrodução do vírus. | Ministério da Saúde, em atualização sobre os casos de sarampo registrados no Brasil em setembro de 2026.

Por que poucos casos ainda importam

O sarampo é altamente contagioso e pode ser transmitido pelo ar quando uma pessoa infectada tosse, espirra, fala ou respira. Segundo o Ministério da Saúde, uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 90% das pessoas próximas que não estejam imunes.

Por isso, o número absoluto de casos não é o único indicador observado pelas autoridades. A cobertura e a distribuição da vacinação também determinam a capacidade de uma comunidade interromper uma cadeia de transmissão. Em nota técnica publicada em abril, o Ministério apontou que a primeira dose da vacina tríplice viral alcançou 92,66% de cobertura em 2025, enquanto a segunda dose chegou a 78,02%. A meta nacional é de 95%.

A diferença entre a primeira e a segunda dose também mostra onde está parte do desafio. Além da média nacional, existe desigualdade entre municípios: em 2025, apenas 35,24% dos municípios atingiram a meta de 95% para a segunda dose.

A proteção começa antes de aparecer um novo caso

A vacinação contra o sarampo está disponível gratuitamente no SUS. Na rotina, a indicação contempla pessoas de 12 meses a 59 anos, conforme o calendário e a situação vacinal. Em locais com circulação do vírus, estratégias adicionais podem ser adotadas, incluindo a chamada dose zero para crianças de 6 a 11 meses, conforme avaliação epidemiológica.

Em setembro, o Ministério publicou orientações específicas para a aplicação da dose zero em crianças de seis meses a 11 meses e 29 dias em Santo André, em São Paulo, diante do cenário epidemiológico local.

Para quem não sabe se recebeu as doses necessárias ou perdeu a caderneta, a orientação oficial é procurar um serviço de saúde para verificar e atualizar o registro de vacinação. A ausência do cartão não impede a aplicação das vacinas indicadas.

O movimento atual, portanto, não representa o retorno do sarampo como transmissão sustentada no Brasil. Mostra, porém, por que a eliminação de uma doença não significa que ela deixou de exigir vigilância. Enquanto houver circulação do vírus em outros países e pessoas suscetíveis, casos podem ser reintroduzidos, e a vacinação continua sendo a principal barreira para impedir que eles formem novas cadeias de transmissão.

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