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T&D Sustentável cresce 85% com modelo que remunera a economia de água
Economia
09.10.2026

T&D Sustentável cresce 85% com modelo que remunera a economia de água

Empresa financia intervenções em grandes consumidores e recebe conforme a eficiência alcançada, vinculando sua receita ao resultado entregue ao cliente.

Reduzir a conta de água de uma empresa exige mais do que instalar equipamentos econômicos ou corrigir vazamentos. É preciso identificar onde o consumo pode ser reduzido, medir o resultado das intervenções e acompanhar se a economia se mantém ao longo do tempo. Foi a partir dessa lógica que Pedro Vitali ajudou a construir a T&D Sustentável, empresa que atua na gestão do consumo hídrico de grandes organizações.

Fundada em 2018, em Macaé, no Rio de Janeiro, a companhia adota um modelo em que financia os recursos necessários às intervenções e recebe de acordo com a eficiência gerada. A proposta elimina parte do investimento inicial do cliente e transfere à prestadora a responsabilidade de encontrar oportunidades de redução de custos. Em 2025, a receita operacional líquida da T&D passou de R$ 2,26 milhões para R$ 4,19 milhões, avanço de 85,4%.

A diferença em relação a uma prestação de serviço convencional está na forma de remuneração. Em vez de cobrar apenas pela execução de um projeto, a empresa vincula seu retorno ao desempenho da solução. Isso cria um incentivo para buscar resultados concretos, mas também exige critérios claros para definir quanto foi economizado e qual parcela desse ganho cabe a cada lado.

A proposta da T&D é trabalhar com economia de água. Então a gente traz a premissa de ter sustentabilidade com ROI, com retorno sobre o investimento. | Pedro Vitali, cofundador e CEO da T&D Sustentável

A economia precisa ser comprovada

O trabalho começa com um diagnóstico do consumo. A equipe analisa torneiras, chuveiros, vasos sanitários e outros pontos de utilização, identifica desperdícios e realiza ajustes sem necessariamente exigir grandes obras ou interromper a operação do cliente. O acompanhamento continua depois da intervenção, permitindo observar oscilações e identificar novas oportunidades de eficiência. A empresa atende grandes consumidores, incluindo hospitais, supermercados e organizações de saúde.

Para que esse modelo funcione, é necessário estabelecer uma referência confiável de consumo antes das mudanças. O Departamento de Energia dos Estados Unidos, por meio do Federal Energy Management Program, recomenda documentar a situação inicial, definir um plano de medição e verificar os resultados após a implantação. A metodologia também contempla projetos de conservação de água e contratos remunerados por desempenho.

Essa etapa é decisiva porque uma queda na conta nem sempre significa que toda a diferença veio da intervenção. Mudanças na ocupação, no volume de produção ou no uso das instalações também podem alterar o consumo. Por isso, o contrato precisa definir como a economia será calculada, quais fatores serão considerados e como eventuais divergências serão resolvidas.

O resultado precisa compensar os dois lados

A remuneração por desempenho muda a distribuição dos riscos. O cliente reduz a necessidade de investimento inicial, enquanto a prestadora precisa financiar a execução e demonstrar que suas soluções produzem o resultado esperado. Para sustentar o modelo, a economia gerada precisa compensar os recursos empregados, sem comprometer a qualidade do serviço.

A recorrência também ajuda a explicar o crescimento da T&D. Segundo a Exame, os contratos costumam durar 48 meses, período em que a empresa continua monitorando o consumo e identificando novas possibilidades de redução. Atender grandes grupos empresariais ainda pode abrir caminho para outras unidades da mesma organização, ampliando a operação sem depender exclusivamente de novos clientes.

A experiência da companhia mostra como uma necessidade operacional pode se transformar em oportunidade de negócio quando o fornecedor assume parte do risco e demonstra o valor entregue. Mais do que prometer uma conta menor, a proposta exige transformar a economia em um indicador verificável. Nesse modelo, o resultado deixa de ser apenas um argumento comercial e passa a fazer parte do próprio contrato.

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