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A 99 virou o primeiro unicórnio brasileiro porque entendeu que crescer era mais do que ter um aplicativo
Negócios
05.10.2026

A 99 virou o primeiro unicórnio brasileiro porque entendeu que crescer era mais do que ter um aplicativo

Criada para conectar passageiros e taxistas, a empresa ampliou categorias, disputou novos públicos e atraiu capital para competir em escala.

Quando surgiu, em 2012, a 99 tinha uma proposta relativamente simples: conectar passageiros e taxistas pelo celular. O mercado ainda estava descobrindo o comportamento do consumidor em aplicativos de transporte, e o modelo competia com empresas que já buscavam espaço nesse território.

O problema era que construir um aplicativo não bastava. A 99 precisava criar uma rede suficientemente grande de passageiros e motoristas para tornar o serviço relevante. Conforme a concorrência aumentou, a empresa ampliou sua atuação. Em 2016, lançou o 99Pop, permitindo também carros particulares, enquanto já trabalhava com outras categorias.

A estratégia contribuiu para que a empresa deixasse de ser apenas uma plataforma de táxis. Em 2017, a 99 recebeu investimentos da DiDi e do SoftBank. No início de 2018, a aquisição pela DiDi colocou a empresa na marca de US$ 1 bilhão de avaliação, tornando-a o primeiro unicórnio brasileiro

É importante olhar para a concorrência de uma forma que você aprenda muito com ela. | Paulo Veras, cofundador da 99.

Crescer exige ampliar o mercado

A 99 não tentou vencer a disputa apenas repetindo o modelo inicial. A empresa ampliou seu portfólio para atender diferentes necessidades e faixas de consumidores. Segundo o histórico oficial da companhia, hoje a plataforma reúne categorias como 99Pop, 99Plus, 99Táxi e serviços de entrega.

Essa expansão mostra um princípio importante de estratégia: diversificar não significa necessariamente abandonar o negócio original. Pode significar usar a infraestrutura existente para atender novas demandas do mesmo mercado. No caso da 99, a tecnologia criada para conectar passageiros e motoristas passou a sustentar diferentes modalidades de mobilidade.

Para Michael Porter, estratégia envolve fazer escolhas e construir uma combinação de atividades capaz de gerar uma posição competitiva diferente. No caso da 99, a expansão de categorias veio acompanhada de outra decisão fundamental: concentrar esforços no mercado brasileiro antes de tentar avançar para outros países.

Capital acelera, mas não substitui estratégia

O capital foi decisivo para a trajetória da 99. Em um setor marcado por competição intensa e necessidade de escala, dinheiro significava capacidade de atrair motoristas, conquistar passageiros, desenvolver tecnologia e disputar mercado.

O próprio Paulo Veras explicou que o setor havia se tornado muito dependente de capital para financiar o crescimento. No início da 99, segundo ele, indicação e boca a boca permitiam crescer com menos recursos; depois, a dinâmica competitiva mudou.

A história ajuda a separar duas coisas que muitas vezes aparecem misturadas no discurso sobre startups: ter investimento não é o mesmo que ter estratégia. A 99 atraiu capital porque havia construído uma operação capaz de disputar um mercado enorme, expandir sua proposta e responder à concorrência. O dinheiro acelerou a trajetória. Não foi ele que definiu o caminho.

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