Conhecida por torneiras, chuveiros e metais sanitários, a Docol está ampliando seu campo de atuação para além dos ambientes tradicionais da casa. A fabricante catarinense lançou uma frente de negócios voltada ao bem-estar, com saunas infravermelhas e banheiras de imersão destinadas a academias, hotéis e condomínios de alto padrão. A estratégia busca aproximar a marca de um segmento que combina infraestrutura, experiência e serviços.
A mudança parte de uma base consolidada: segundo reportagem do NeoFeed publicada em 9 de outubro de 2026, os metais sanitários ainda respondiam por 85% da receita da companhia. A nova divisão, chamada Docol Be, pretende ampliar o portfólio e reduzir, gradualmente, a dependência do negócio tradicional. A empresa estabeleceu como objetivo que o segmento de bem-estar represente 10% da receita nos próximos anos. Esse percentual é uma meta, não um resultado já alcançado.
A expansão também muda a forma de desenvolver os produtos. Parte dos equipamentos será fabricada ou montada nas unidades industriais da empresa, enquanto as saunas serão produzidas por uma parceira, seguindo especificações e marca da Docol. As conversas comerciais começaram, e a companhia planeja investir cerca de R$ 50 milhões na nova frente

“As academias têm ampliado este tipo de serviço. E os novos empreendimentos já começam a ter essa preocupação com mais equipamentos. Antes, o pessoal queria adega ou sala de cinema. Hoje, querem uma academia mais caprichada, com sauna e ofurô. | Guilherme Bertani, CEO da Docol.
Uma expansão baseada em mercados adjacentes
A entrada no bem-estar é um exemplo de diversificação adjacente: a companhia aproveita capacidades, marca e canais comerciais que já possui para explorar uma categoria próxima. A água continua no centro da proposta, mas o uso muda. Em vez de oferecer apenas itens para equipar cozinhas e banheiros, a Docol pretende atender espaços dedicados à recuperação física e ao relaxamento.
A aposta também acompanha mudanças no mercado imobiliário e na hospitalidade. Academias, hotéis e condomínios de alto padrão passaram a incorporar mais recursos de bem-estar em suas instalações, criando oportunidades para fornecedores que consigam oferecer produtos, especificação técnica e suporte para projetos. Um estudo do Global Wellness Institute estimou o mercado mundial de imóveis voltados ao bem-estar em US$ 876 bilhões em 2025 e projeta que ele alcance US$ 1,8 trilhão até 2030. Essa categoria é mais ampla do que o mercado de saunas e banheiras, mas ajuda a dimensionar a crescente integração do bem-estar aos espaços construídos.
As pesquisadoras Katherine Johnson e Ophelia Yeung, do Global Wellness Institute, afirmam que projetos imobiliários voltados ao bem-estar podem ganhar escala colocando sustentabilidade, planejamento dos espaços e inclusão no centro de seu desenho e operação. Para a Docol, isso significa que a oportunidade não depende apenas de vender equipamentos: envolve compreender o projeto do cliente, o uso previsto e a integração dos produtos ao ambiente.

A nova categoria precisa conquistar espaço
A empresa pretende combinar produção própria, desenvolvimento de especificações e parceiros industriais para entrar no segmento sem precisar internalizar todas as etapas desde o início. Esse modelo pode acelerar o lançamento e permitir que a procura seja testada antes de uma expansão maior da capacidade produtiva.
A diversificação, porém, não elimina os desafios. Produtos destinados a academias, hotéis e condomínios exigem requisitos de instalação, manutenção, durabilidade e atendimento diferentes daqueles associados às torneiras e aos metais sanitários tradicionais. A força da marca pode abrir portas, mas a recompra e a recomendação dependerão do desempenho e da adequação dos equipamentos aos projetos.
O movimento mostra como uma indústria consolidada pode buscar crescimento em mercados próximos sem abandonar sua atividade principal. A Docol continua investindo na linha de metais sanitários e, ao mesmo tempo, tenta construir uma nova fonte de receita. O resultado dependerá da capacidade de transformar a reputação conquistada em uma categoria diferente, com demanda recorrente e uma operação preparada para atender esse novo público.