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Sônia Hess transformou um estoque de tecidos em uma nova frente de negócios para a Dudalina
Negócios
12.10.2026

Sônia Hess transformou um estoque de tecidos em uma nova frente de negócios para a Dudalina

Aos 9 anos, ela já trabalhava na loja da família. Décadas depois, usou seu conhecimento da operação para ampliar a atuação da camisaria no varejo feminino.

A relação de Sônia Hess com os negócios começou ainda na infância, quando trabalhava em uma das lojas da família em Blumenau, Santa Catarina. Sexta dos 16 filhos de Adelina e Rodolfo Hess, ela cresceu acompanhando a fabricação e a venda de camisas da Dudalina, empresa fundada pelos pais em 1957. Aos 9 anos, já se destacava no atendimento aos clientes.

Depois de estudar Administração e trabalhar em outras empresas, Sônia voltou à Dudalina em 1984. Em 2003, assumiu a gestão da companhia e passou a acompanhar de perto diferentes áreas da operação, da estrutura fabril à gestão de pessoas. A experiência ajudou a consolidar uma visão de negócio que combinava conhecimento do produto, participação da equipe e identificação de oportunidades comerciais.

Um dos movimentos mais representativos dessa trajetória aconteceu em 2010. Diante de um estoque de tecidos que queria aproveitar, a empresária reuniu colaboradores para desenvolver uma coleção de camisas femininas. A iniciativa deu origem a uma nova linha da Dudalina e ajudou a abrir caminho para a expansão da empresa no varejo, ampliando sua presença junto às consumidoras.

Em 2010 eu tinha um estoque de tecidos que queria transformar. Chamei colaboradores para criar uma coleção para mulheres. | Sônia Hess, empresária e ex-presidente da Dudalina

Quando um recurso disponível vira oportunidade de mercado

A decisão de aproveitar o estoque foi além de uma solução para a operação. Sônia identificou a possibilidade de desenvolver um produto para um público específico e mobilizou a equipe para transformar a matéria-prima em uma coleção com posicionamento próprio. A linha foi apresentada com o conceito de camisas para “mulheres que decidem”, associando o produto a um perfil de consumidora e a uma proposta de marca.

O resultado abriu uma nova etapa comercial. Em 2011, a Dudalina entrou também no varejo, chegando a 70 lojas próprias em 2012, segundo o relato publicado pelo Grupo Mulheres do Brasil. O movimento ampliou os pontos de contato com o consumidor e ajudou a empresa a construir uma presença mais direta no mercado, para além da fabricação e distribuição de camisas.

A experiência mostra como a inovação pode nascer de recursos e conhecimentos já disponíveis. Em vez de depender exclusivamente de um grande investimento em uma categoria inédita, a empresa aproveitou sua matéria-prima, sua experiência em camisaria e o conhecimento da equipe para testar uma nova frente comercial. A oportunidade surgiu da combinação entre capacidade produtiva e leitura de mercado.

Crescer também exige preparar a empresa para mudar

O percurso de Sônia Hess também evidencia os desafios particulares das empresas familiares. Na Dudalina, o crescimento do negócio conviveu com divergências entre os herdeiros sobre os rumos da companhia. A venda do controle a investidores internacionais, anunciada em 2013, marcou uma mudança importante na trajetória da empresa, que posteriormente se uniu à Restoque, atual Veste S.A.

Para o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), a governança em empresas familiares precisa considerar a relação entre família, patrimônio e gestão. O conselheiro e especialista em sucessão Alexis Novellino defende que “a governança deve ser vista como um ‘sistema’ estratégico para promover a geração de valor sustentável para qualquer organização”. A reflexão ajuda a compreender por que o crescimento precisa vir acompanhado de processos de decisão capazes de sustentar o negócio ao longo do tempo.

A história de Sônia reúne duas dimensões do empreendedorismo: reconhecer oportunidades em situações cotidianas e transformar essa percepção em estratégia comercial. O estoque de tecidos foi o ponto de partida, mas o resultado dependeu da mobilização da equipe, da compreensão do público e da capacidade de levar a ideia ao mercado. Em negócios consolidados, inovar nem sempre significa começar do zero. Às vezes, significa enxergar um novo caminho para aquilo que a empresa já sabe fazer.

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