Antes de comandar uma das maiores operações de moda do país, Alexandre Birman começou observando de perto a fábrica da família. Filho de Anderson Birman, fundador da Arezzo com o irmão Jefferson, ele acompanhou desde cedo etapas como corte de couro, montagem e acabamento dos sapatos. Aos 18 anos, decidiu criar uma marca própria.
A Schutz nasceu em 1995 com uma proposta diferente daquela pela qual ficaria conhecida anos depois. Inspirado por esportes de aventura e por produtos como Birkenstock e Timberland, Birman criou inicialmente uma marca masculina voltada ao universo outdoor. A primeira coleção foi desenvolvida em poucos meses.
Para colocar o projeto de pé, ele arrendou uma fábrica do pai que estava sendo desativada em Matozinhos, Minas Gerais. O movimento permitiu começar utilizando uma estrutura industrial já existente, reduzindo a necessidade de construir uma operação produtiva do zero.

A ideia surgiu em uma de nossas visitas à Lineapelle. | Alexandre Birman, sobre a criação da Schutz.
Quando o produto encontra outro público
A primeira versão da Schutz não permaneceu intacta. Em 1997, a marca lançou sua primeira linha feminina. A mudança mostrou que o produto inicial não precisava determinar para sempre o posicionamento da empresa. A própria operação foi sendo ajustada conforme novos públicos e oportunidades apareciam.
Essa capacidade de reposicionamento é central para a estratégia. O Sebrae recomenda que empreendedores validem suas hipóteses de mercado antes de ampliar investimentos, testando a aceitação do produto e observando as necessidades reais dos consumidores.
No caso da Schutz, a mudança de público veio acompanhada por uma transformação da proposta de valor. A marca deixou o território de calçados masculinos para construir uma identidade associada à moda feminina, tendência e design. Hoje, a própria companhia descreve a Schutz como uma marca voltada à mulher contemporânea e presente em pontos de venda em todos os estados brasileiros.

Mudar sem perder a capacidade de executar
A trajetória também mostra que mudar de direção não significa necessariamente abandonar o que já foi construído. A experiência industrial, o conhecimento sobre calçados e a estrutura produtiva permaneceram como ativos quando a Schutz passou a mirar outro consumidor.
Em 2007, Schutz e Arezzo tiveram suas operações integradas, movimento que a companhia descreveu como uma forma de gerar sinergias de gestão, posicionamento e distribuição.
A história de Alexandre Birman combina, portanto, repertório familiar, experimentação e disposição para rever o caminho. A Schutz começou mirando um consumidor e terminou construindo sua relevância em outro. Em estratégia, a capacidade de fazer uma escolha também passa pela disposição de reconhecer quando uma escolha precisa mudar.