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Alexandre Birman começou pela moda masculina e encontrou na Schutz outro mercado
Negócios
03.10.2026

Alexandre Birman começou pela moda masculina e encontrou na Schutz outro mercado

A marca nasceu em 1995 com foco em calçados para homens e esportes outdoor, mas mudou de direção até se tornar uma referência em moda feminina.

Antes de comandar uma das maiores operações de moda do país, Alexandre Birman começou observando de perto a fábrica da família. Filho de Anderson Birman, fundador da Arezzo com o irmão Jefferson, ele acompanhou desde cedo etapas como corte de couro, montagem e acabamento dos sapatos. Aos 18 anos, decidiu criar uma marca própria.

A Schutz nasceu em 1995 com uma proposta diferente daquela pela qual ficaria conhecida anos depois. Inspirado por esportes de aventura e por produtos como Birkenstock e Timberland, Birman criou inicialmente uma marca masculina voltada ao universo outdoor. A primeira coleção foi desenvolvida em poucos meses.

Para colocar o projeto de pé, ele arrendou uma fábrica do pai que estava sendo desativada em Matozinhos, Minas Gerais. O movimento permitiu começar utilizando uma estrutura industrial já existente, reduzindo a necessidade de construir uma operação produtiva do zero.

A ideia surgiu em uma de nossas visitas à Lineapelle. | Alexandre Birman, sobre a criação da Schutz.

Quando o produto encontra outro público

A primeira versão da Schutz não permaneceu intacta. Em 1997, a marca lançou sua primeira linha feminina. A mudança mostrou que o produto inicial não precisava determinar para sempre o posicionamento da empresa. A própria operação foi sendo ajustada conforme novos públicos e oportunidades apareciam.

Essa capacidade de reposicionamento é central para a estratégia. O Sebrae recomenda que empreendedores validem suas hipóteses de mercado antes de ampliar investimentos, testando a aceitação do produto e observando as necessidades reais dos consumidores.

No caso da Schutz, a mudança de público veio acompanhada por uma transformação da proposta de valor. A marca deixou o território de calçados masculinos para construir uma identidade associada à moda feminina, tendência e design. Hoje, a própria companhia descreve a Schutz como uma marca voltada à mulher contemporânea e presente em pontos de venda em todos os estados brasileiros.

Mudar sem perder a capacidade de executar

A trajetória também mostra que mudar de direção não significa necessariamente abandonar o que já foi construído. A experiência industrial, o conhecimento sobre calçados e a estrutura produtiva permaneceram como ativos quando a Schutz passou a mirar outro consumidor.

Em 2007, Schutz e Arezzo tiveram suas operações integradas, movimento que a companhia descreveu como uma forma de gerar sinergias de gestão, posicionamento e distribuição.

A história de Alexandre Birman combina, portanto, repertório familiar, experimentação e disposição para rever o caminho. A Schutz começou mirando um consumidor e terminou construindo sua relevância em outro. Em estratégia, a capacidade de fazer uma escolha também passa pela disposição de reconhecer quando uma escolha precisa mudar.

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