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Renan Lippaus vendeu a transportadora e levou a Contegran a R$ 249 milhões
Negócios
08.10.2026

Renan Lippaus vendeu a transportadora e levou a Contegran a R$ 249 milhões

Empresário deixou um negócio pressionado por prazos longos de recebimento e encontrou no comércio de commodities uma operação baseada em crédito e escala.

Renan Lippaus conhecia o transporte rodoviário desde cedo, mas percebeu que havia um problema difícil de resolver: o dinheiro saía muito antes de voltar. Na transportadora que fundou aos 25 anos, clientes levavam cerca de 120 dias para pagar, enquanto diesel, salários, pneus e parcelas dos caminhões precisavam ser pagos antes.

Em 2018, ainda ligado à logística, Lippaus começou a negociar café em grãos na Bahia. A atividade cresceu até se tornar o principal negócio da companhia, e a transportadora acabou sendo vendida em 2024. Em 2025, a Contegran alcançou R$ 249,2 milhões em receita operacional líquida, alta de 158% sobre o ano anterior.

A mudança não aconteceu apenas pela escolha de um produto diferente. A Contegran encontrou uma maneira de reduzir uma barreira comum no comércio exterior: o prazo de pagamento. A empresa passou a vender a prazo para clientes internacionais e utilizou seguro de crédito para proteger parte dessa operação.

O comercial já aborda o cliente dizendo que ele tem crédito conosco. | Renan Lippaus, fundador da Contegran.

O diferencial passou a ser o crédito

A Contegran começou comprando café de produtores baianos para revender à indústria brasileira. Depois, avançou para exportação e incorporou o açúcar ao portfólio. Outros produtos, como milho e cacau, chegaram a ser testados, mas foram abandonados quando a conta não fechou. A lógica passou a ser avaliar não apenas a margem, mas o risco e o capital exigido por cada operação.

O ponto central está no prazo. Quando uma empresa precisa pagar fornecedores antes de receber dos clientes, ela financia parte da própria operação. O Sebrae explica que a necessidade de capital de giro cresce quando o ciclo financeiro se alonga, especialmente quando o prazo de recebimento supera o prazo de pagamento.

Na exportação, a Contegran transformou justamente essa dificuldade em argumento comercial. Em vez de exigir que o comprador estrangeiro use uma carta de crédito bancária e pague no embarque, passou a oferecer prazo com seguro de crédito. Para o empresário, isso tornou a proposta mais competitiva sem assumir integralmente o risco de inadimplência.

Crescer também é administrar o tempo do dinheiro

A estratégia ilustra uma questão que costuma ficar escondida atrás dos números de faturamento: uma empresa pode vender muito e ainda assim enfrentar dificuldades financeiras se o dinheiro demora demais para entrar no caixa. O chamado ciclo de conversão de caixa mede justamente esse intervalo entre o desembolso para comprar ou produzir e o recebimento pela venda.

A decisão de Lippaus foi, portanto, menos sobre abandonar caminhões e mais sobre buscar um modelo em que a relação entre risco, margem e capital fizesse mais sentido. O próprio empresário testou novas commodities e deixou para trás aquelas em que a equação não funcionava.

O resultado ajuda a explicar o salto da Contegran. O crescimento não veio simplesmente de vender mais café e açúcar, mas de construir uma proposta comercial que reduzisse uma barreira para o cliente. É uma lição importante para qualquer negócio: antes de perguntar quanto uma nova operação pode faturar, vale entender quanto dinheiro ela exige para continuar funcionando enquanto o faturamento ainda não chegou.

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