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A Dexco economizou R$ 311 milhões ouvindo quem estava no chão de fábrica
Negócios
10.10.2026

A Dexco economizou R$ 311 milhões ouvindo quem estava no chão de fábrica

Programa de inovação reuniu sugestões dos funcionários para reduzir custos e agora avança sobre oportunidades comerciais e novas fontes de receita.

Uma das maiores fontes de economia da Dexco não surgiu de uma consultoria externa nem de uma tecnologia recém-adquirida. Veio de quem acompanha a operação diariamente: os funcionários do chão de fábrica. Desde 2013, o programa Imagine acumulou R$ 311 milhões em benefícios financeiros com ideias apresentadas pelos próprios colaboradores, segundo a companhia. Mais de 90% das sugestões vieram de profissionais diretamente envolvidos nos processos produtivos.

A iniciativa transformou problemas cotidianos em oportunidades de melhoria. Quem executa uma tarefa repetidamente costuma perceber desperdícios, falhas de processo e dificuldades que nem sempre aparecem nos indicadores gerenciais. Quando essas observações chegam a um programa estruturado, podem gerar mudanças pequenas individualmente, mas relevantes quando aplicadas em escala.

Agora, a dona de marcas como Deca, Duratex e Portinari está ampliando o alcance do Imagine. A nova fase, iniciada em 2026, busca aproximar inovação, análise de dados e inteligência artificial de áreas como marketing, precificação e previsão de demanda. A intenção é ir além da economia operacional e encontrar oportunidades para aumentar receitas e rentabilidade. Os projetos comerciais ainda estão em desenvolvimento.

Não vamos deixar de lado a questão da eficiência operacional, até porque esse é um motor que já roda por si só. | Renato Xavier, coordenador de data analytics, inteligência artificial e inovação corporativa da Dexco.

A inovação começa perto do problema

O resultado do Imagine está relacionado a uma prática conhecida na gestão industrial como melhoria contínua. Em vez de depender exclusivamente de grandes projetos de transformação, a empresa estimula os profissionais a identificar problemas recorrentes, propor soluções e testar mudanças nos processos. O efeito acumulado pode aparecer na redução de desperdícios, no uso mais eficiente de materiais e no aumento da produtividade.

Essa abordagem também é discutida pela Harvard Business Review. Em artigo sobre inovação entre funcionários, os professores Fabrizio Salvador e Fabian J. Sting destacam que profissionais da linha de frente podem contribuir significativamente para melhorar produtos e processos. O método japonês kaizen, associado ao Sistema Toyota de Produção, parte justamente da ideia de que melhorias sucessivas podem produzir ganhos expressivos ao longo do tempo.

A mudança da Dexco, porém, exige outro tipo de conhecimento. Ao avançar para marketing, demanda e precificação, a companhia precisa combinar a experiência das equipes com dados de consumidores e ferramentas analíticas. Entre as iniciativas divulgadas estão uma plataforma para integrar informações sobre clientes e o uso de personas sintéticas, geradas por inteligência artificial, para explorar preferências e testar propostas.

Escutar é apenas o primeiro passo

Uma cultura de inovação não se constrói apenas pedindo sugestões. É necessário criar um processo para avaliar ideias, testar sua viabilidade, calcular o retorno e implementar as soluções que demonstram resultado. Sem esse caminho, a participação dos funcionários corre o risco de se tornar uma iniciativa simbólica, sem impacto real na operação.

A experiência da Dexco mostra também que o conhecimento interno pode ser aplicado a desafios diferentes. A redução de custos continua relevante, mas a empresa quer usar a mesma capacidade de identificar problemas para melhorar decisões comerciais e encontrar novas fontes de valor.

O próximo desafio será comprovar que esse modelo consegue produzir resultados fora do ambiente industrial. Os R$ 311 milhões acumulados demonstram o histórico do programa, enquanto os projetos de marketing, dados e inteligência artificial ainda precisarão mostrar seu retorno. A inovação ganha força quando transforma o conhecimento de quem trabalha na empresa em resultados que podem ser medidos.

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