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Flávio Augusto vendia inglês pelo orelhão antes de transformar a Wise Up em um negócio de R$ 877 milhões
Negócios
02.10.2026

Flávio Augusto vendia inglês pelo orelhão antes de transformar a Wise Up em um negócio de R$ 877 milhões

A experiência como vendedor revelou uma demanda pouco explorada e ajudou a transformar uma escola de inglês em uma rede de grande escala.

Antes de criar a Wise Up, Flávio Augusto da Silva conheceu o mercado de educação pelo lado mais direto possível: o da venda. Aos 19 anos, trabalhava comercialmente em uma escola de inglês no Rio de Janeiro e chegava a usar telefones públicos para ligar para possíveis alunos.

Quatro anos depois, decidiu transformar aquela experiência em negócio próprio. Em 1995, Flávio e sua esposa, Luciana, reuniram R$ 20 mil para abrir a primeira unidade, dinheiro obtido com cheque especial e recursos da própria família. A escola começou em uma sala no centro do Rio, sem uma carteira de alunos pronta.

O diferencial não estava apenas em ensinar inglês. Flávio identificou um público específico: adultos que já estavam no mercado de trabalho e precisavam aprender o idioma em menos tempo. A Wise Up nasceu com uma proposta de curso de 18 meses, enquanto modelos tradicionais da época podiam levar vários anos.

Havia uma demanda enorme por pessoas que precisavam falar inglês rapidamente. | Flávio Augusto da Silva, em entrevista à Forbes.

O negócio nasceu de uma dor específica

A percepção de Flávio foi mais comercial do que acadêmica. Ele observou que os cursos existentes não atendiam plenamente profissionais adultos que tinham pouco tempo disponível e uma necessidade objetiva: usar o inglês no trabalho.

Essa escolha de público também definiu o produto. Em vez de tentar competir oferecendo a mesma experiência das escolas tradicionais, a Wise Up foi construída em torno de uma promessa diferente: ensinar comunicação em inglês para adultos dentro de um período mais curto. A própria marca registra a criação da escola em 1995 com foco nesse público.

A lógica se aproxima do princípio descrito por Michael Porter, professor da Harvard Business School: “A essência da estratégia é escolher o que não fazer.” Para o especialista, posicionamento estratégico envolve selecionar um conjunto específico de atividades para entregar uma proposta de valor diferente.

Vender antes de escalar

A experiência comercial também foi decisiva. Flávio já havia aprendido a prospectar clientes antes de abrir a própria empresa. Na nova escola, essa cultura permaneceu. Segundo ele, a necessidade de vender era imediata, já que os custos precisavam ser pagos desde o primeiro mês. No primeiro ano, a unidade chegou a mil alunos e, no oitavo mês, uma segunda unidade foi aberta na Avenida Paulista.

A expansão posterior passou pelas franquias. Em 2000, a Wise Up adotou esse modelo e chegou a centenas de unidades. Quando a Abril Educação anunciou a aquisição em 2013, a rede tinha 76 mil alunos e 338 escolas franqueadas em 89 municípios, além de operações no exterior e em plataformas de petróleo.

Da habilidade de vender a um modelo replicável

A trajetória de Flávio mostra como uma experiência adquirida no comercial pode se transformar em vantagem estratégica quando é convertida em produto, posicionamento e processos. O vendedor deixou de depender apenas da própria capacidade de convencer clientes e construiu uma estrutura que outras pessoas poderiam operar.

Foi essa possibilidade de replicação que permitiu à Wise Up ganhar escala. O negócio passou de uma sala no centro do Rio para uma rede nacional de franquias e, posteriormente, tornou-se um ativo adquirido por uma companhia de educação de capital aberto.

Em fevereiro de 2013, a Abril Educação anunciou a compra de 100% do Grupo Ometz, controlador da Wise Up, em uma operação avaliada em R$ 877 milhões. Naquele momento, a rede já reunia 76 mil alunos e 338 escolas franqueadas.

A história começou com um vendedor usando um orelhão para prospectar alunos. O que veio depois foi, essencialmente, a transformação de uma leitura de mercado em um modelo de negócio capaz de ser reproduzido em escala.

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