O Nosso Açaí nasceu em Santo André e chegou a cerca de dez unidades antes de enfrentar uma pergunta comum a empresas que querem crescer: como transformar uma operação que funciona em um modelo capaz de ser reproduzido? Foi esse ponto que João Branco colocou no centro da análise da marca.
A questão ganha peso em um mercado de franchising que segue em expansão no Brasil. A Associação Brasileira de Franchising registrou faturamento de R$ 301,7 bilhões em 2025, com 202.444 operações e mais de 1,76 milhão de empregos diretos.
Nesse cenário, vender uma unidade não significa apenas encontrar alguém disposto a investir. É preciso transformar produto, atendimento, operação, comunicação e números em um sistema que outra pessoa consiga executar com consistência e, principalmente, com perspectiva de rentabilidade.

Franqueado não quer um amigo. Ele quer alguém que ensine ele a ganhar dinheiro. | João Branco, em entrevista à Exame
O segundo cliente é o empreendedor
João Branco identificou no Nosso Açaí um problema que aparece com frequência quando marcas bem-sucedidas tentam acelerar a expansão: muitos diferenciais podem acabar comunicando pouco. Na avaliação do especialista, uma marca precisa escolher com clareza aquilo que deseja ocupar na cabeça do consumidor.
A lógica também vale para a franquia. O cliente final compra o produto e a experiência. O franqueado compra a possibilidade de operar um modelo de negócio. São decisões diferentes, com critérios diferentes.
O próprio Sebrae aponta que a formatação de uma franquia envolve padronização, diretrizes operacionais e preparação para expansão. A entidade destaca ainda que a padronização pode contribuir para redução de custos e ganhos de escala.

Crescer exige transformar operação em método
Quando um negócio depende exclusivamente da presença do fundador, sua expansão encontra um limite natural. A franquia exige o caminho inverso: aquilo que está na experiência do dono precisa ser traduzido em processos, treinamento, indicadores e padrões.
Não por acaso, o Sebrae trata treinamento e padronização como elementos centrais da operação de redes. O franqueado precisa aprender tanto a administrar quanto a reproduzir o modelo que originou a marca.
No caso do Nosso Açaí, a provocação de João Branco vai além do setor de alimentação. Uma empresa pronta para crescer não é necessariamente a que vende mais hoje, mas aquela capaz de explicar por que vende, como entrega e como outra pessoa pode repetir esse resultado.