Antes de existir um Grupo Gazin com centenas de lojas e operações industriais, havia uma pequena loja de móveis em Douradina, no interior do Paraná. Foi ali que Mário Gazin, então com 16 anos, trabalhava e acompanhava as dificuldades financeiras enfrentadas pelo estabelecimento.
Quando o proprietário decidiu vender o negócio, Mário percebeu uma possibilidade que dependia de uma condição complicada: ele não tinha dinheiro para comprar a loja. A solução veio dentro da própria família. Seu pai, Alfredo Gazin, entregou o jipe da família e parte da chácara onde moravam em troca do ponto comercial.
Em 13 de dezembro de 1966, nascia oficialmente a Gazin. No início, Mário e o pai conduziam a operação, que vendia desde alimentos a granel até móveis. Seis meses depois, outros integrantes da família já participavam do negócio.

Se eu tivesse que começar de novo? Eu começaria vendendo móveis outra vez! | Mário Gazin
A oportunidade estava justamente no negócio que dava errado
A história da Gazin começa com uma decisão que combina risco, conhecimento do negócio e proximidade com o mercado. Mário não entrou em um setor que desconhecia. Ele já trabalhava na loja e conhecia sua operação, seus clientes e suas dificuldades. A aquisição representava uma tentativa de assumir o controle de um negócio em crise, não de começar do zero em um mercado desconhecido.
O primeiro crescimento veio pela expansão geográfica. Em 1974, a Gazin abriu sua primeira filial em Mato Grosso do Sul. Dois anos depois, outra unidade foi instalada em Mundo Novo, também no estado.
A estratégia ganhou ainda mais força quando uma geada atingiu o Paraná em 1975 e provocou mudanças econômicas e migração de famílias ligadas à produção de café. A empresa passou a acompanhar parte desse movimento, abrindo operações em regiões para onde antigos clientes estavam se deslocando.

Crescer foi também diversificar
A trajetória posterior mostra que a empresa não ficou restrita ao varejo. O Grupo Gazin passou a atuar no atacado, na indústria de colchões e molas, em consórcio e em outros negócios. A operação atual reúne centenas de lojas, indústrias e centros de distribuição.
Há uma lógica importante nessa transformação. A expansão não aconteceu apenas pela abertura de pontos de venda. O grupo foi criando novas estruturas para abastecer, distribuir e ampliar sua atuação, transformando a experiência acumulada no varejo em uma plataforma empresarial mais ampla.
O risco inicial virou aprendizado de gestão
O jipe utilizado na negociação virou quase um símbolo da origem da empresa, mas a construção da Gazin exigiu decisões muito além daquela primeira aposta. A própria trajetória mostra uma combinação entre expansão territorial, participação familiar, diversificação e construção de infraestrutura própria.
Michael Porter, professor da Harvard Business School, resume uma dimensão dessa lógica ao afirmar que “a essência da estratégia é escolher o que não fazer”. No caso da Gazin, a escolha inicial foi concentrar recursos em um negócio que Mário já conhecia e, posteriormente, ampliar a operação conforme surgiam novas oportunidades.
Da pequena loja ao ecossistema
O ponto de partida da Gazin não tinha características de uma grande empresa. Era uma loja pequena, em uma cidade do interior, assumida em um momento de dificuldade. A diferença esteve na capacidade de transformar aquela operação em uma base para novas decisões.
A primeira filial fora do Paraná surgiu em 1974. Em 1983, a empresa chegou ao Mato Grosso; posteriormente vieram novas unidades, o atacado e as operações industriais.
Hoje, a Gazin apresenta uma estrutura muito diferente daquela de 1966. A própria companhia informa possuir mais de 369 lojas de varejo em 16 estados, além de nove indústrias de colchões, duas de molas e 25 centros de distribuição.
A história, portanto, começa com uma compra incomum, mas não termina nela. O jipe resolveu a entrada no negócio. Foi a capacidade de adaptar, expandir e construir novas operações que transformou aquela oportunidade em uma empresa de escala nacional.
A loja comprada por Mário estava em dificuldades financeiras. Em vez de interpretar a crise apenas como sinal de fechamento, ele enxergou espaço para assumir a operação. O caso mostra como conhecer profundamente um negócio pode permitir identificar oportunidades que não são evidentes para quem está de fora.
Depois da geada que afetou o Paraná, famílias ligadas ao café migraram para outras regiões. A Gazin acompanhou parte desse deslocamento e abriu lojas em novos mercados. A expansão, portanto, também esteve relacionada à leitura dos movimentos econômicos e dos próprios clientes.